Gestão do Conhecimento
O Conhecimento Empresarial - parte II
Agostinho Rosa

Essa interação entre os agentes que formam a empresa leva ao segundo ítem que vem impactando a gestão das empresas. É a valorização do trabalhador, não apenas no formato já tradicional do "vestir a camisa", mas como a entidade física que detém o conhecimento, o como fazer. Essa constatação reforça a rede de interconexões como sendo a essência da cultura empresarial. A empresa não existe descolada dos seus funcionários, aí incluída a própria administração. Não existe um saber pairando sobre a planta, que ali permanecerá independentemente dos seres físicos que a fazem funcionar. O saber está nestas pessoas e, mais importante, na relação que existe entre essas pessoas e na relação delas com os objetivos maiores da organização. Esse é um sentido novo para a sinergia: "o todo é maior do que a soma das partes" não é uma mera questão de atuação conjunta e produtividade. São aquelas pessoas, naquele lugar determinado, naquele ambiente determinado, naquele momento, que compõem a empresa e constituem-se em seu saber.

No momento pós-reengenharia, alguns estudos procuraram fazer uma comparação entre a economia conseguida com funcionários novos e mais baratos e o gasto com o treinamento desses mesmos funcionários. Os valores alcançados por estes estudos são muito discrepantes, mas nenhum deles mostra economia. Em todos os casos, o gasto com o ingresso de um funcionário "analfabeto de empresa" é maior do que a economia conseguida com a dispensa de um nó da rede já consolidado.

Isso acontece justamente porque o conhecimento está entranhado nas pessoas, nos diversos níveis da organização. Logo, esse conhecimento flui através da rede passando de um nó (um trabalhador), para o próximo nó (outro trabalhador, ou um equipamento ou mesmo um produto). Quando se troca um desses nós da rede, há um momento de incerteza entre os demais nós que se conectavam diretamente a ele. É necessário um tempo para que o novo elemento consiga se inserir no local. Isso envolve:

  1. entender o funcionamento da rede;
  2. estabelecer relações de confiança com os nós próximos;
  3. entender sua função específica;
  4. compreender a importância de sua função para a manutenção da rede;
  5. alcançar os níveis de produtividade exigidos pela rede; esse ítem realimenta o ítem número 2 e, se não atingido, pode comprometer aquele.

Pode-se entender, então, o desequilíbrio produzido na rede quando se mudam vários nós simultaneamente.

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