Mas o que é mais relevante é que, estando o conhecimento da empresa
entranhado em seus nós, esse conhecimento flui através destes nós. Vale
dizer, flui através do contato direto entre as pessoas que trabalham na
empresa. É por isso que problemas de relacionamentos em equipes geram
tanto desperdício de energia e perda de produtividade: o conhecimento da
empresa deixa de fluir. É o mesmo que acontece quando alguém se esquece
de um compromisso: ao se esquecer, a pessoa "perde conhecimento" e deixa
de tomar atitudes que poderão lhe trazer prejuízos de diversas
magnitudes, dependendo da importância do compromisso esquecido. Na
empresa, quanto mais importante a equipe para o todo, maior o prejuízo
quando o conhecimento deixa de fluir.
Grandes empresas estão, já há algum tempo, utilizando as ferramentas da
Tecnologia da Informação para sistematizar, resguardar, gerenciar e
difundir seu próprio conhecimento. Essas ferramentas são bancos de dados
de diversas naturezas, e com muitas facilidades na recuperação das
informações. Em alguns casos, o que era para ser simplesmente uma Base
de Conhecimentos, já se transformou em produtos novos e dá lucros para a
empresa. É o conhecimento empresarial gerando novos negócios.
Existem campos enormes para a utilização desse conhecimento
sistematizado como um novo produto. Um exemplo típico é o aproveitamento
das reclamações e defeitos apresentados pelos produtos na rede de
assistência técnica ou, ainda melhor, ensinando o próprio cliente a
consertar o produto. O cliente recebe um CD em casa contendo toda a
lista de defeitos já apresentados e seus sintomas. Detectado o defeito,
ele pode encomendar as peças por correio eletrônico, fax ou 0800 e
recebê-las também em casa.
Mas as ferramentas de bancos de dados não atendem a todas as
necessidades que as empresas têm para a disseminação do seu
conhecimento. Mesmo a disseminação intra-empresa não pode abrir mão
daquela constatação acima ressaltada: o conhecimento está nas pessoas e
depende do contato frente a frente destas pessoas para se propagar. As
bases de dados são um grande avanço e permitem muita produtividade. Mas
elas são mais adequadas para o saber técnico estabelecido, aquele saber
típico dos manuais, facilmente sistematizável. Mas nem todo
conhecimento, mesmo o tecnológico, é adequado a uma sistematização.
Empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento sabem muito bem
disso. Boa parte do saber é fluido, mutável. Não estou afirmando que as
ferramentas da Tecnologia da Informação são inadequadas. De forma
nenhuma: elas são necessárias e tem muito bons resultados. O que estou
dizendo é que as demais ferramentas, as tradicionais, não devem ser
deixadas de lado. Encontros, almoços, reuniões, debates e mesmo
relatórios escritos são mecanismos tradicionais que devem ser mantidos.
1 |
2 |
3 |
4