Em recente artigo neste mesmo espaço, tivemos a oportunidade de analisar
a natureza do conhecimento empresarial. Falamos sobre o fato de que o
conhecimento não paira acima da organização. O saber e a inteligência
estão entranhados nos diversos nós que formam a rede empresarial.
Destacamos a importância das pessoas que compõem a empresa, sendo elas a
verdadeira substância onde o conhecimento está fundamentado. E, para
fluir, esse conhecimento depende do contato direto entre essas pessoas.
Hoje vamos sair do ambiente intra-empresa e focar questões relativas à
fluidez do conhecimento no ambiente inter-empresarial.
O conhecimento é importante em todas as empresas, sem exceção. Mas
alguns tipos de empresas são mais sensíveis a ele. É o caso da empresas
de alta tecnologia, cujos produtos são baseados em conhecimento. Estas
empresas são também grandes inovadoras na área de gestão, porque elas
fazem de tudo para permitir que a comunicação e, por conseguinte, o
conhecimento, fluam livremente entre os nós de sua rede. Mas elas fazem
mais do que isso. Elas dificilmente se instalam em áreas onde possam
ficar isoladas. Empresas cujos produtos e serviços estão baseados em
conhecimento geralmente se instalam próximo a Universidades, Institutos
de Pesquisas ou próximo a empresas congêneres. O exemplo clássico
é o Vale do Silício, na Califórnia. Centrado na cidade de San José, o
Vale do Silício tem a maior concentração mundial de empresas de alta
tecnologia.
Se o conhecimento flui pelo contato direto dos nós dentro da empresa, o
mesmo é válido com o exterior. O ambiente acadêmico, simpósios,
"workshops" e feiras são mecanismos que propiciam a troca de conhecimento
entre empresas, porque permite o contato direto, pessoal, entre os
detentores do conhecimento. Isso permite uma infinidade de negócios
entre estas empresas: compra e venda de tecnologias, prestações de
serviços, compartilhamento de laboratórios, treinamentos, alianças
estratégicas etc.
E permite fluidez de mão-de-obra; É conhecida a máxima de que "sabemos
mais do que conseguimos falar". Isto é verdade porque o conhecimento
está entranhado nas pessoas. Desta forma, apenas a fluidez destas
pessoas pode dar movimento ao conhecimento.