Gestão do Conhecimento
ARTIGO

União em busca do conhecimento
Mário Sérgio Ussyk


(continuação)

Aspectos delicados norteiam o relacionamento, como a propriedade intelectual e o sigilo. Eles exigem um pouco de cuidado, de prática, de experiência, mas é possível uma convivência sadia e vantajosa para os dois lados. A Embraco tem o cuidado de efetuar depósitos das patentes dos inventos e manter sigilo sobre os aspectos estratégicos da pesquisa, ao mesmo tempo em que são mantidas as publicações para a comunidade científica.

Existem basicamente quatro formas de se estabelecer uma parceria com universidades. A primeira é participando como ouvinte das apresentações de defesa de mestrado ou doutorado ou fazendo visitas regulares às instituições que desenvolvem pesquisa. Pode-se também firmar um contrato de prestação de serviço. Alguns argumentam que a universidade não existe para prestar serviço a empresas e, sim, para fazer pesquisa e educar. Isto é verdadeiro. A principal atividade jamais pode ser a prestação de serviço, mas muitos laboratórios destas instituições se mantêm porque prestam serviço utilizando uma pequena carga de trabalho e aproveitando a ociosidade de alguns equipamentos. Neste tipo de parceria, o contato é curto, a universidade já detém o conhecimento e apenas utiliza equipamento ocioso.

Uma terceira forma de parceria se dá através de um projeto de pesquisa, que envolve uma interação maior. A empresa determina o assunto, negocia com a universidade através de uma fundação, e o trabalho pode durar de um a três anos e estar incluído em uma dissertação de mestrado ou doutorado.

O quarto e mais amplo meio é estabelecer um programa de pesquisa, ou seja, o agrupamento de projetos de pesquisa. Dentro de uma determinada área podem existir diferentes temas, projetos que caminham paralelamente. O programa de pesquisa tem muitas frentes de trabalho. Abrange alunos de iniciação científica, dissertação de mestrado ou doutorado. A Embraco eventualmente participa cedendo equipamentos de laboratório em regime de comodato. Normalmente o relacionamento não começa por aqui.

Fundamentalmente, encontrar o parceiro adequado é um ponto importante para que a experiência seja bem-sucedida. Além de almejar novas aplicações para o conhecimento gerado, protegê-lo por intermédio de patentes e explorá-lo comercialmente, a empresa também quer adicionar valor a seus produtos e processos, executar pesquisa aplicada e formar profissionais altamente capacitados. A universidade, por sua vez, deseja gerar novos conhecimentos, buscar recursos financeiros para executar pesquisa científica, disseminar conhecimento como um bem público e obter o reconhecimento profissional através da publicação de pesquisas. Enfim, é preciso haver uma convergência de interesses e tratar o assunto com franqueza, para que os dois lados obtenham resultados consistentes e satisfatórios.


Mário Sérgio Ussyk é gestor Corporativo de Projetos da Empresa Brasileira de Compressores S.A. - www.embraco.com


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