Eletrônica

Materiais que se resfriam sob ação da luz poderão refrigerar chips

Materiais que se resfriam sob ação da luz poderão refrigerar chips

Em 1950, Alfred Kastler sugeriu que materiais sólidos dopados com íons de terras raras poderiam se resfriar sob a ação de um processo chamado emissão anti-Stokes. Esse efeito acontece quando o material emite mais energia do que absorve.

Agora, pesquisadores da Universidade do País Basco, Espanha, demonstraram que elementos contendo o elemento érbio realmente se resfriam quando recebem um feixe de raios laser. Como o experimento foi feito com diodos laser comuns e de baixa potência, abre-se a possibilidade de criação de minúsculos refrigeradores acionados opticamente para utilização no interior de dispositivos eletrônicos, como os chips de computador.

O segredo do sucesso da experiência, comprovando uma teoria de mais de 50 anos, é emitir fótons com uma energia muito próxima, mas ligeiramente abaixo, daquela necessária para fazer os átomos do material saltarem para um nível mais alto de energia.

O material utiliza a vibração termal adicional gerada pelo laser - já que todo material já possui uma vibração termal natural. Absorvendo essa energia termal - ondas conhecidas como fónons - o material se torna fluorescente, liberando uma quantidade de energia que é maior do que aquela trazida pelo laser. Isso faz com que ele se resfrie.

O interesse no érbio não é novo. Outros pesquisadores já haviam conseguido resfriar materiais contendo itérbio e túlio - baixando sua temperatura em até 85º C. Mas o érbio pode ser resfriado com lasers com comprimento de onda na faixa de 1,5 micrômetros, comuns em sistemas de comunicação por fibras ópticas. Isso o torna um candidato natural a operar em conjunto com os equipamentos eletrônicos atuais.

O resfriamento atingido ainda é muito baixo para que já se possa pensar em substituir os dissipadores e ventiladores dos chips por uma canetinha a laser. "Mas há formas de se conseguir otimizações utilizando configurações diferentes, de forma que você possa alcançar maiores diferenciais de temperatura," diz o pesquisador Angel Garcia-Adeva.

Antes dos microprocessadores, os usos mais plausíveis para esses refrigeradores ópticos serão as máquinas fotográficas ou câmeras de infravermelho, cujos sensores geram muito calor - mas operam melhor a temperaturas mais baixas.

Bibliografia:

Anti-Stokes Laser Cooling in Bulk Erbium-Doped Materials
Joaquin Fernandez, Angel J. Garcia-Adeva, Rolindes Balda
Physical Review Letters
18 July 2006
Vol.: 97, 033001
DOI: 10.1103/PhysRevLett.97.033001




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