Energia

Empresa lança célula a combustível para notebooks

Uma empresa emergente norte-americana divulgou seus planos para colocar no mercado uma microcélula a combustível destinada a substituir as baterias de lítio dos computadores portáteis. A microcélula dispensa a membrana catalítica das células PEM ("Proton Exchange Membrane": membrana de troca de prótons) tradicionais.

A nova tecnologia baseia-se na utilização de placas de silício com microporos. A estrutura de silício, de cerca de 400 micra de espessura, é muito mais grossa do que os 10 micra das membranas tradicionais. A membrana pode ser eliminada ao se recobrir o silício poroso com o catalisador, o que amplia enormemente a área ativa da célula, além de permitir a fabricação de uma célula que, no conjunto, é muito menor.

O eletrólito líquido utilizado poderá fluir através dos microporos do substrato, da mesma forma que a água quando absorvida por uma esponja. Isto permite níveis mais altos de interação entre combustível, oxigênio e do catalisador, interação esta que é responsável pela geração de energia.

E, ao contrário das células tradicionais, que retiram oxigênio do ar e liberam água, a nova célula consiste em um sistema totalmente fechado, retirando o oxigênio de um compartimento selado e liberando vapor d'água. Tanto o vapor d'água quanto o dióxido de carbono também são capturados internamente, eliminando riscos ao equipamento eletrônico e liberando a célula como um todo de dispositivos de exaustão e circuitos eliminadores de detritos e partículas em suspensão.

A utilização de silício foi, sem dúvida, um dos fatores que endossaram a tecnologia e permitiram a injeção de capital recebida pela empresa. O silício é utilizado no mercado há mais de 30 anos, com grande experiência por parte da indústria, tanto em termos de processo quanto do conhecimento do próprio material.

O substrato poroso, com sua maior área, permitirá um nível muito mais alto de atividade eletroquímica e geração de eletricidade, elevando a densidade de energia da célula a níveis ainda não alcançados por nenhuma outra tecnologia. O resultado prático é que a nova célula de combustível tem o potencial para ser muito menor do que as até hoje produzidas ou teoricamente projetadas, podendo ser inserida na mesma cavidade do notebook que hoje é destinada à bateria de lítio.

A Neah Power Systems é uma empresa que acaba de nascer, fruto da aplicação de capital de risco em uma idéia. Os criadores da nova tecnologia foram selecionados para participar de um fórum, onde novas idéias são expostas a investidores. Os investidores acreditaram na proposta da Neah, baseados em números entusiasmadores sobre o mercado de notebooks. Em 2.002 foram vendidos 30 milhões de unidades no mundo todo, o que significa que um em cada quatro computadores vendidos são portáteis.

A empresa fundamenta suas expectativas de mercado no chamado "hiato de potência", que é a energia necessária para alimentar os notebooks nos próximos anos, com muito mais recursos dos que os atuais, energia esta que não poderá ser suprida pelas baterias de lítio. Com o advento das tecnologias de rede sem fio, como Wi-Fi e Bluetooth, espera-se também que os computadores portáteis sejam cada vez mais utilizados em substituição aos atuais modelos de mesa, devido aos ganhos de mobilidade e privacidade que proporcionam.

A nova célula a combustível deverá garantir autonomia de um dia completo de trabalho contínuo com uma única carga de metanol, o que representa um rendimento de, no mínimo, três a quatro vezes o oferecido pelas melhores baterias hoje disponíveis. As células de combustível possuem quatro problemas principais, nada desprezíveis, que deverão ser resolvidos antes que elas possam ser amplamente adotadas: baixa eficiência, baixa densidade de energia, grandes dimensões e altos custos. A Neah afirma que sua célula resolverá todos esses entraves.





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