Energia

Catalisador de baixo custo para extração de hidrogênio

Catalisador de baixo custo para extração de hidrogênio

Em um artigo publicado na revista Science do último dia 27 de Junho, engenheiros da Universidade de Winsconsin-Madison (Estados Unidos) relataram a descoberta de um catalisador de níquel-estanho que pode substituir a platina, metal várias vezes mais caro, em equipamentos de extração de hidrogênio a partir de plantas. A descoberta poderá viabilizar a utilização do hidrogênio como combustível, uma vez que ele poderá ser fabricado em um processo limpo, em baixa temperatura e sem a geração de gases que causam o efeito estufa.

O novo catalisador, juntamente com uma segunda inovação, a qual purifica o hidrogênio para utilização em células a combustível, pode se transformar em uma alternativa viável para se fazer uma transição da atual economia baseada no petróleo para outra, mais limpa, baseada no hidrogênio gerado a partir de fontes renováveis.

O Dr. James Dumesic e seus alunos George Huber e John Shabaker testaram mais de 300 materiais até encontrar uma combinação exata de níquel, estanho e alumínio que reage com hidrocarbonetos derivados de biomassa, produzindo hidrogênio e dióxido de carbono, mas sem gerar grandes quantidades de metano. Em 2.002, Dumesic apresentou outra pesquisa, anunciando uma forma de se retirar hidrogênio do açúcar.

"A platina é muito eficaz mas também é muito cara," explica Dumesic. "Ela é também problemática para produção de energia em larga escala porque a platina já é necessária para uso como anodo e catodo em células a combustível alimentadas por hidrogênio. Nós sabíamos que o níquel era muito ativo, mas ele permite que a reação continue após a produção do hidrogênio, gerando o metano. Nós descobrimos que, adicionando estanho ao que é conhecido como catalisador Raney-Níquel, diminui a taxa de metano produzido sem comprometer a taxa de produção de hidrogênio."

O novo catalisador utiliza um processo simples que, em um único passo, converte glucose (a mesma fonte de energia utilizada pelas plantas e animais) em hidrogênio, dióxido de carbono e alcanos, com o hidrogênio representando 50% do produto final. Moléculas mais refinadas, como o etileno glicol e o metanol são quase totalmente convertidas em hidrogênio e dióxido de carbono. O processo utiliza como elementos processadores a temperatura, pressão e o elemento catalisador.

A dramática redução na contaminação de CO obtida pelo novo processo vai ao encontro de um dos maiores obstáculos na operação eficiente de células de combustível a hidrogênio. O monóxido de carbono contamina a superfície dos eletrodos das células de combustível, diminuindo sua confiabilidade.

Os pesquisadores planejam agora criar um processo combinado, onde o catalisador de níquel-estanho reformará hidrocarbonos oxigenados para produzir hidrogênio relativamente puro, o qual será então passado para um segundo estágio de catalisação, onde será removido o monóxido de carbono e o hidrogênio sairá puro, pronto para utilização em células de combustível. O desafio é descobrir um substituto para a platina também no catalisador do segundo estágio.





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