Energia

Novo catalisador aumenta eficiência de células a combustível em 90 vezes

Novo catalisador aumenta eficiência de células a combustível em 90 vezes

Pesquisadores de dois laboratórios do governo norte-americano descobriram um catalisador super eficiente que poderá dar novo impulso ao desenvolvimento das células a combustível. Esses geradores de eletricidade de última geração não emitem poluentes e são uma das mais promissoras tecnologias para substituição dos motores a combustão dos automóveis - os motores dos veículos passariam a ser elétricos, com a energia sendo gerada pelas células a combustível.

O que os engenheiros descobriram foi uma variação molecular em uma conhecida liga de platina-níquel, que mostrou ser o mais eficiente catalisador já construído. A nova liga aumentou a atividade catalítica do catodo de uma célula a combustível em nada menos do que 90 vezes, quando comparada com os catodos de platina-carbono utilizados hoje.

A baixa taxa de redução do oxigênio no catodo - o trabalho do catalisador - tem sido um dos principais fatores inibidores do desenvolvimento de células a combustível PEM ("Polymer Electrolyte Membrane" ou "Proton Exchange Membrane"). O catodo corresponde ao pólo positivo de uma célula a combustível.

Ao converter diretamente energia química em energia elétrica sem combustão, as células a combustível representam provavelmente a forma mais eficiente e limpa para se gerar eletricidade. As células a combustível PEM estão no topo dessa tecnologia já que, como queimam hidrogênio, produzem apenas água como subproduto. Como elas conseguem gerar grandes quantidades de energia em uma configuração relativamente compacta e leve, as células PEM são as preferidas atualmente para equipar os automóveis elétricos do futuro.

As células a combustível equipam os ônibus espaciais e a Estação Espacial Internacional. Mas ainda são muito caras para os automóveis. O maior fator causador desse custo elevado é justamente sua dependência de platina para uso como catalisador - a platina é um dos metais mais caros do mundo.

A platina pura é um catalisador excelente, mas é cara demais e também se degrada rapidamente pela criação de íons hidróxidos, que se ligam ao metal e inibem sua ação catalítica. É por isso que os cientistas trabalham com ligas de platina, em combinação com uma técnica de enriquecimento. Nessa tecnologia, o superfície do catodo é recoberta com uma "pele" de átomos de platina, depositada sobre camadas de ligas feitas de platina e de um metal não precioso, tal como o níquel ou o cobalto.

A nova liga descoberta pelos cientistas é a Pt3Ni(111), que funciona 10 vezes melhor do que uma superfície de platina pura e 90 vezes melhor do que uma liga de platina-carbono.

Bibliografia:

Improved Oxygen Reduction Activity on Pt3Ni(111) via Increased Surface Site Availability,
Vojislav R. Stamenkovic, Ben Fowler, Bongjin Simon Mun, Guofeng Wang, Philip N. Ross, Christopher A. Lucas, Nenad M. Markovic
Science
January 11, 2007
DOI: 10.1126/science.1135941




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