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Galileo choca-se com Júpiter

Galileo choca-se com Júpiter
Impressão artística do fim da sonda Galileo, dirigida intencionalmente para queimar-se na atmosfera de Júpiter. [Imagem: NASA]

Mergulho final

Um dos mais marcantes capítulos da história da exploração espacial terminou neste domingo, dia 21 de Setembro, quando a nave Galileo mergulhou em direção à densa atmosfera de Júpiter.

O fim dramático, mas planejado, da Galileo encerra 14 anos de exploração da nave que foi lançada em Outubro de 1989, a partir do ônibus espacial Colúmbia.

Apesar do problema com a antena principal, que não se armou, e de um gravador temperamental, a Galileo foi a primeira missão a efetuar um reconhecimento detalhado de um planeta gasoso.

Em Dezembro de 1995, ela tornou-se a primeira espaçonave a entrar na órbita do maior planeta do nosso Sistema Solar e a primeira a enviar uma sonda para a sua atmosfera repleta de hidrogênio. Desde então, a Galileo tem enviado à Terra centenas de imagens e grandes quantidades de dados científicos.

Júpiter

Júpiter, além do tamanho, é famoso pelas nuvens coloridas e, principalmente, por uma gigantesca roda vermelha, uma tempestade gigantesca capaz de encobrir três Terras e que já dura pelo menos três séculos.

Com a ajuda de um instrumento a bordo da Galileo, chamado NIMS (Near-Infrared Mapping Spectrometer: Espectrômetro de Mapeamento do Infravermelho Próximo), os cientistas puderam saber que pelo menos quatro diferentes camadas de nuvens formam a face visível do planeta, que vão de nuvens de água na parte mais baixa da atmosfera, até amônia e sulfeto de hidrogênio na parte mais alta.

As imagens da grande tempestade, captadas pelo NIMS, também mostraram que ela consiste em espirais de nuvens avermelhadas, separadas por camadas de ar relativamente limpo.

O vórtice principal é muito menor do que o "olho" da tempestade. Ao redor desse "olho" encontra-se um anel de nuvens brancas, situadas entre 3 e 7 quilômetros abaixo; fora dele há uma região turbulenta com neblina e ventos fortíssimos.

Luas de Júpiter

A nave Galileo também descobriu que a atmosfera de Júpiter contém mais elementos pesados do que era esperado.

"Isto sugere que Júpiter, diferentemente do Sol, não foi formado de uma só vez," explica o professor Fred Taylor, membro da equipe que construiu o NIMS. "Parece que ele resulta de várias peças que se juntaram em diferentes épocas. Alguns desses componentes, particularmente os gases nobres (argônio, etc.), originaram-se em regiões muito frias, de forma que ou eles migraram de fora, em direção ao Sol, ou Júpiter se formou em um local mais distante do que aquele no qual ele se encontra hoje."

Um dos mais intrigantes quebra-cabeças científicos investigado pela Galileo foi a ligação entre o enorme campo magnético de Júpiter e suas quatro grandes luas.

O campo magnético, o maior e mais forte dentre todos os planetas do nosso Sistema, foi cuidadosamente estudado pelo magnetômetro da espaçonave durante cada sobrevôo nessas luas.

Para surpresa geral, a análise dos resultados coletados nesses vôos mostrou que, enquanto Ganimedes, Europa e Callisto possuem seus próprios campos magnéticos, a lua Io não o possui.

Os dados também sugerem que existem oceanos salgados sob as camadas superficiais de gelo das três luas externas. Alguns cientistas especulam que pode haver algum tipo de vida nas profundezas escuras dos oceanos de Europa.





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