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Huygens separa-se de Cassini e vai em direção a Titan

Huygens separa-se de Cassini e vai em direção a Titan

Os destaques do primeiro ano da missão Cassini-Huygens a Saturno podem ser divididos em dois capítulos: primeiro, em junho de 2004, a sonda dupla entra na órbita de Saturno e começa a enviar as melhores imagens e os dados científicos mais detalhados jamais tidos sobre o gigante gasoso e seus anéis.

Hoje, véspera de Natal, começa o segundo capítulo. Huygens, a sonda européia que pegou carona na Cassini, irá se desligar e iniciar sua descida em direção à lua Titã (ou Titan), onde deverá chegar no dia 24 de Janeiro de 2005.

A sonda Huygens esteve dormindo todos esses anos desde a partida da missão da Terra. Ela só era acordada a cada seis meses para uma bateria de testes e checagens de equipamentos de três horas de duração. Agora, seu cordão umbilical, um conjunto de cabos que a mantém ligada à Cassini, será cortado e ela seguirá por conta própria, numa trajetória balística, para fazer sua parte nessa missão que já é um sucesso.

No dia 27 a Cassini fará uma pequena correção de rota e retomará seu próprio caminho. Além de sair do curso de colisão com Titan, a nave-mãe assumirá uma posição adequada para manter as comunicações durante a descida da Huygens.

Titan é enorme e coberta por uma atmosfera de quase 600 quilômetros de espessura. Muito pouco se sabe a respeito dessa lua que é maior do que alguns planetas do Sistema Solar. Mas os cientistas acreditam que ela é mais ou menos como era a Terra há alguns bilhões de anos atrás. É como fazer uma viagem no tempo, conhecendo o nosso próprio passado.

A atmosfera é rica em metano e há muita especulação se existiriam lagos dessa substância cobrindo vastas áreas da superfície da lua. Se sim, Titan seria o único corpo celeste do nosso Sistema Solar, além da Terra, a ter a superfície coberta por líquidos.

Mas não há expectativas de se encontrar nenhuma vida como a que conhecemos. Os 180° C negativos da superfície impedem o desenvolvimento de qualquer coisa. Apesar disso, os cientistas esperam encontrar sinais de moléculas orgânicas complexas, os blocos básicos a partir dos quais se acredita que a vida é construída.

A sonda Huygens tem o formato de um cone contendo um escudo protetor térmico. Além do efeito de proteção, o escudo e o próprio formato da nave servirão como freio na entrada da atmosfera de Titan.

Dada a brecada inicial, o escudo será liberado e uma série de pára-quedas ajudarão a diminuir ainda mais a velocidade. Finalmente será aberto o pára-quedas principal, que deverá levar a Huygens lentamente até a superfície, numa suave descida que, se espera, deverá durar cerca de duas horas e meia.

Suas câmeras começarão a fotografar tudo a partir de uma altitude de 150 quilômetros. Todos os demais instrumentos também estarão funcionando e poderão continuar assim quando a sonda atingir a superfície. Todos os dados serão transmitidos à Cassini, que os enviará de volta à Terra.





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