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Raio-trator gravitacional poderá desviar asteróides

Raio-trator gravitacional poderá desviar asteróides
[Imagem: NASA]

Atração à distância

Cientistas da NASA apresentaram uma forma surpreendentemente simples, mas efetiva, para desviar um asteróide que esteja em rota de colisão com a Terra - estacionar uma enorme espaçonave próximo ao asteróide e deixar que a gravidade faça o seu trabalho.

Todas as sugestões anteriores se fundamentavam em desviar um asteróide em rota de colisão utilizando explosões nucleares. Mas os especialistas da NASA acreditam que um "raio-trator de gravidade" deverá ser capaz de desempenhar a mesma tarefa, criando um cabo de reboque invisível para arrastar a rocha de seu curso mortal.

"A maioria das pessoas imaginam o enfoque de Hollywood - disparar uma arma nuclear prá cima dele," afirma Edward Lu, o cientista e astronauta da NASA que desenvolveu a idéia. Mas isso produziria fragmentos dispersos, alguns dos quais poderiam continuar rumo à Terra. "Esta é a estratégia atirar e esperar," acrescenta Lu.

Baldes de tinta

Outra proposta é detonar bombas nucleares próximo ao asteróide. A rajada de radiação resultante deveria tirá-lo de seu curso, mas há o mesmo risco de fragmentos rebeldes se o asteróide se fragmentar.

Uma idéia mais nova é pintar a superfície do asteróide de branco. Isto poderia alterar a quantidade de energia solar que ele irradia e alterar seu curso. Entretanto, a quantidade de tinta necessária seria enorme.

Lu e seus colegas originalmente pensaram em pousar uma espaçonave sobre a superfície do asteróide, a fim de retirá-lo gentilmente de seu curso. Mas a falta de gravidade significa que a nave deveria se prender à superfície de rocha, o que poderia ser complicado, já que o asteróide poderia ser pouco maior do que uma pilha de cascalho, explica Lu.

Para piorar as coisas, os asteróide geralmente têm rotação, o que significa que empurrá-lo poderia simplesmente fazer com que ele girasse mais rapidamente, ao invés de alterar seu curso.

Vencedor fácil

A equipe de Lu finalmente percebeu que a espaçonave não precisaria sequer pousar. Colocando um objeto pesado o suficiente próximo ao asteróide, por um tempo suficiente, poderá produzir um arrasto gravitacional suficiente para alterar sua órbita.

Para um asteróide de 200 metros de largura, a espaçonave teria que pesar cerca de 20 toneladas e ficar a mais ou menos 50 metros de seu alvo por cerca de um ano, para conseguir alterar a velocidade do asteróide o suficiente para tirá-lo de seu curso.

"Isto é claramente a melhor idéia que eu já vi," diz Erik Asphaug, um cientista planetário da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz. "Isto irá funcionar, mas você precisa colocar uma espaçonave grande o suficiente lá em cima e na hora certa."

Deixando cair

Uma espaçonave tão grande é perfeitamente factível, diz Lu. De fato, o multibilionário programa Prometheus, da NASA, que foi pensado para explorar regiões além do sistema solar, mas que foi adiado, planejava desenvolver exatamente uma nave assim, movimentada por fissão nuclear.

A estratégia se baseia fundamentalmente em nossa capacidade para detectar uma ameaça de um asteróide com cerca de 20 anos de antecedência. Para asteróides maiores, isto é realista. Mas Asphaug diz que muitos pequenos asteróides - menores do que 500 metros de largura - poderão passar despercebidos até poucos anos antes do impacto.

Asphaug sugere que poderia ser melhor investir na previsão de quando e onde pequenos asteróides poderão cair, do que em uma gigantesca espaçonave anti-catástrofes. O governo poderia então se preparar para evacuar as regiões afetadas. "Em muitos casos, economicamente faz mais sentido simplesmente deixar a coisa cair," disse ele.





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