Espaço

Formação dos cometas pode ser mais complexa do que cientistas imaginavam

Formação dos cometas pode ser mais complexa do que cientistas imaginavam
A sonda Stardust trouxe mais material do que os cientistas esperavam. Cerca de duas dúzias de partículas podem ser vistas a olho nu.[Imagem: JPL/NASA]

Do que são feitos os cometas

Os cientistas estão surpresos com as primeiras análises das amostras do cometa Wild 2, trazidas pela sonda espacial Stardust.

Os fragmentos indicam que, contrariamente às teorias atualmente aceitas, pelo menos alguns cometas - como o Wild 2 - possuem em sua composição material lançado pelo Sol primordial até os limites do sistema solar. A foto mostra uma dessas partículas.

Acredita-se que os cometas se formem nos limites exteriores do sistema solar.

Mas os cientistas encontraram em sua composição minerais que se formam em altíssimas temperaturas, o que só seria possível de acontecer no Sol.

"O mais interessante é que nós encontramos esses minerais de alta temperatura em materiais do ponto mais frio do sistema solar," diz o cientista Donald Brownlee.

Ou seja, ao invés de serem apenas o resultado da aglomeração de nuvens de gelo, poeira e gases, os cometas parecem ter uma história bem mais complexa. Apenas para manter a teoria atual como referência, os cientistas suspeitam que o Sol possa ter lançado esses minerais para as fronteiras do sistema solar. Mas, com uma composição tão rica, outras teorias agora poderão vir à tona.

Ajudando os cientistas

A sonda Stardust trouxe mais material do que os cientistas esperavam. Cerca de duas dúzias de partículas podem ser vistas a olho nu.

Mas, no interior do aerogel, o material utilizado para coletar a poeira do cometa, existe ainda um número incalculável de partículas microscópicas, que precisam ser localizadas e retiradas para estudo.

Encontrar essas partículas de poeira é um trabalho longo e demorado. Por isto os cientistas da NASA decidiram lançar o projeto Stardust at Home, inspirado no programa SETI, que procura inteligênciaextraterreste.

Após fazer um registro inicial, os participantes baixarão para seu computador um microscópio virtual. O microscópio irá se conectar a um servidor e baixar "filmes de focalização". Os filmes são imagens do coletor de aerogel da sonda, feitas por um microscópio automatizado, localizado no Centro Espacial Johnson. A partir daí, cada voluntário procura os grânulos, informando sua localização aos cientistas quando encontrar algum.

Uma única partícula de poeira do cometa, medindo 10 micrômetros, pode ser fatiada em centenas de amostras, que são enviadas para vários cientistas ao redor do mundo fazerem a análise de sua composição. Cerca de 150 cientistas já receberam amostras para estudo.





Outras notícias sobre:

Mais Temas