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Telescópio espacial Corot parte amanhã em busca de vida no espaço

Sonda espacial Corot parte amanhã em busca de vida no espaço
O objetivo do telescópio espacial Corot é descobrir e pesquisar os chamados exoplanetas - planetas situados fora do nosso Sistema Solar. [Imagem: Corot]

Onde está a vida

Astrônomos do mundo todo estão acompanhando com grande expectativa a contagem regressiva que deverá terminar amanhã (27/12), com o lançamento da sonda espacial Corot (Convection, Rotation and Planetary Transits: Convecção, Rotação e Trânsito Planetário), projeto liderado pela França e que conta com a participação de vários países europeus e do Brasil.

O objetivo do telescópio espacial Corot é descobrir e pesquisar os chamados exoplanetas - planetas situados fora do nosso Sistema Solar. A pesquisa de vida fora da Terra é um dos maiores alvos de investimentos atuais na exploração espacial.

Depois de meia dúzia de sondas e três robôs em Marte, é indisfarçável a grande decepção entre os astrobiólogos, que esperavam encontrar abundantes sinais de vida em nosso vizinho vermelho. Ainda é possível que esses sinais sejam encontrados mas, na dúvida, é melhor começar a procurar mais longe.

A missão Corot

Convecção e rotação, os dois primeiros termos do nome da sonda Corot, referem-se à sua capacidade de avaliar o interior das estrelas, estudando as ondas acústicas que se propagam em suas superfícies, uma técnica chamada astrosismologia.

Já trânsito refere-se a uma técnica por meio da qual a presença de planetas ao redor de uma estrela pode ser inferida por tênues variações no brilho da estrela, que podem ser detectadas quando o planeta passa à sua frente.

O telescópio espacial Corot - que é um telescópio mas não faz imagens como o Hubble - irá observar cerca de 120.000 estrelas, ao longo de sua missão de três anos. Desde a descoberta do primeiro exoplaneta, em 1995, mais de 200 outros foram localizados por telescópios terrestres.

Gigantes gasosos

Muitos dos planetas que a Corot deverá detectar deverão ser gigantes gasosos e quentes, com as dimensões de Júpiter. Mas os cientistas estão mesmo de olho é nos planetas rochosos, como a Terra, que não podem ser localizados pelos instrumentos instalados em solo, mas que provavelmente serão localizados por um telescópio do espaço. O telescópio do Corot tem 30 centímetros de diâmetro.

O Brasil é o único país não europeu com especialistas atuando no Projeto Corot em grupos de trabalho para definição, observação e análise preparatória das estrelas que serão observadas na missão e na elaboração do software de calibração, correção instrumental e formatação dos dados.

Os professores Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP e Vanderlei Cunha Parro, da Escola de Engenharia Mauá estão entre os brasileiros que participam da missão.

Origem da vida

O interesse e a pressa em encontrar vida fora da Terra - além do óbvio e justificável interesse científico, - esconde também uma "saia justa" da qual os cientistas não têm conseguido se desvencilhar. Hoje, a explicação da origem da vida na Terra é uma espécie de "geração espontânea", na qual descargas atmosféricas em uma sopa de aminoácidos teria feito surgir a vida.

Acostumados com a complexidade dos seres vivos, complexidade essa muito difundida graças às pesquisas de áreas como a genômica, nem mesmo estudantes do ensino médio engolem mais essa estória e os cientistas, na verdade, evitam falar dela.

Depois que se descobriu um meteoro marciano na Antártica, tornou-se muito mais fácil dizer que a vida apenas chegou na Terra, vinda do espaço - uma hipótese conhecida como panspermia. A quase totalidade dos cientistas já apóia essa idéia, mas eles precisam de uma prova para começar a discuti-la com maior embasamento.





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