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Indústria é mais sensível ao preço dos metais e minerais industriais do que do petróleo e gás

Indústria é mais sensível ao preço dos metais e minerais industriais do que do petróleo e gás
Mina de cobre de Escondida, no Chile, um dos maiores produtores mundiais do metal. [Imagem: Wikipedia]

Petróleo ou metais?

Quando a questão é petróleo e gás, a tendência atual é se lembrar de que a queima excessiva desses combustíveis fósseis é danosa ao meio ambiente.

Há um outro lado, no qual se insistia muito até pouco tempo atrás, mas agora já um tanto esquecido: os combustíveis fósseis são recursos geológicos finitos e, mais cedo ou mais tarde, vão acabar. E toda a nossa indústria atual depende fortemente deles.

Mas será este o maior problema?

Nossa indústria também depende do cobre, do alumínio, do silício, do zinco, do germânio, do estanho, enfim, de uma lista de recursos minerais virtualmente do tamanho da tabela periódica.

Algum deles oferece um risco de escassez ainda maior do que o petróleo e o gás?

Matérias-primas minerais

Matérias-primas como os metais e os minerais industriais representam cerca de 40% dos custos de produção da indústria.

A energia - petróleo, gás e carvão - representa apenas 1,6%.

Somente esses dados já mostram a sensibilidade que a indústria possui a qualquer problema na oferta dessas matérias-primas minerais.

Embora haja milhares de estudos sobre o petróleo, o gás e o carvão, não existe virtualmente nenhum dado mais preciso quando o assunto é a possibilidade de escassez dos metais e dos minerais industriais. Justamente aqueles que mais poderão afetar a indústria.

Foi isto o que levou os pesquisadores do Instituto Fraunhofer, Alemanha, a se debruçaram sobre o tema.

Os pesquisadores analisaram como o crescimento econômico mundial e o progresso tecnológico poderão afetar a demanda pelos mais importantes metais e minerais industriais - entre outros, o cobre, o tântalo, a platina, o grafite e a fluorita.

E como essa demanda poderá influenciar o comportamento dos preços dessas matérias-primas até o ano de 2025.

Econometria

A análise utilizou uma técnica bastante conhecida na economia, muito utilizada justamente na previsão de demanda para as matérias-primas energéticas.

Com uma pequena adaptação, a técnica econométrica permitiu que os pesquisadores separassem as previsões de demanda real do crescimento especulativo.

Os resultados são bastante diferentes para cada uma das matérias-primas minerais estudadas.

Por exemplo, enquanto a demanda por tântalo deverá continuar crescendo em razão do crescimento da indústria eletrônica, a fluorita demonstra ter uma demanda em declínio.

Preços dos bens minerais

Esse comportamento esperado dos preços das matérias-primas minerais tem um impacto gigantesco sobre as políticas industriais.

Analisando o caso específico da Alemanha, os pesquisadores estimaram que o país poderia economizar nada menos do que 120 bilhões de euros por ano - simplesmente tomando medidas que contrabalancem as tendências de aumento na demanda dos metais e minerais industriais.

A notícia, obviamente, não é boa para a indústria de mineração, que naturalmente espera uma valorização dos seus produtos.

Mas a reciclagem, a construção com materiais mais leves, a nanotecnologia, a miniaturização e o desenvolvimento de processos produtivos mais eficientes poderia simplesmente contrabalançar o impulso que a pressão da demanda deverá exercer sobre o preço dos minerais nos próximos 20 anos.





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