Nanotecnologia

Nanoválvula: menor torneira do mundo controla passagem de moléculas

Nanoválvula  menor torneira do mundo controla passagem de moléculas

Cientistas da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, construíram uma nanoválvula, uma espécie de torneira tão pequena e precisa que é capaz de capturar e liberar moléculas individuais. O equipamento poderá ser utilizado em microlaboratórios ("lab-on-a-chip"), para liberar as menores quantidades possíveis de compostos para uma reação química ou até mesmo no interior de células vivas.

"Este artigo demonstra de forma inequívoca que o equipamento funciona," afirma Jeffrey I. Zink, membro da equipe, referindo-se ao trabalho publicado no exemplar de ontem do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. "Uma nanoválvula poderá ser utilizada como um mecanismo de aplicação de medicamentos," completa ele.

A nanoválvula é uma espécie de torneira microscópica, formada por moléculas de rotaxano e minúsculos pedaços de vidro (sílica porosa), que medem cerca de 500 nanômetros de comprimento. Os poros no vidro, que medem apenas alguns nanômetros de diâmetro, têm o tamanho necessário para deixar passar as moléculas individuais, mas são pequenos o suficiente para serem tampados pelas moléculas de rotaxano.

A chave do novo componente são justamente essas moléculas de rotaxano, que têm uma estrutura parecida como um halteres com um anel no centro, o que lhes dá mobilidade: girando-se seu centro móvel, pode-se fechar ou abrir os nanoporos do vidro, prendendo ou liberando as moléculas com as quais se está trabalhando.

O pesquisadores utilizaram a energia química de um único elétron como fonte de energia para abrir e fechar a "nanotorneira", e manipularam uma molécula luminescente, que os permite verificar se ela está realmente presa ou se foi liberada.

Agora que demonstraram que o princípio funciona, os cientistas planejam aprimorar a nanoválvula, fabricando-a em dimensões compatíveis com a manipulação de enzimas.

Como a nanoválvula é muito menor do que as células do corpo humano, os cientistas esperam um dia conseguir inserir seu minúsculo equipamento, cheio de biomoléculas, no interior das células; a nanoválvula poderá então liberar os medicamentos que carrega exatamente dentro da célula a ser tratada.





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