Nanotecnologia

"Carimbo" nanotecnológico facilita fabricação em nanoescala

Carimbo nanotecnológico facilita fabricação em nanoescala

Cientistas da Universidade Penn State, Estados Unidos, criaram uma nova técnica, batizada de impressão por microdeslocamento, que permite a colocação precisa de moléculas durante a fabricação de componentes eletrônicos e sensores nanoscópicos. A nova técnica também amplia a variedade de moléculas que podem ser utilizadas na nanofabricação.

A impressão por microdeslocamento é baseada em um método já largamente utilizado, chamado impressão por microcontato - uma forma simples de fabricação de padrões químicos que não exige salas limpas ou outros tipos de ambientes especiais e caros. Os dois métodos envolvem a colocação da "tinta" - a solução de moléculas a ser aplicada - sobre uma superfície de borracha e depois aplicando-a sobre a superfície desejada, como se fosse um carimbo.

"O microdeslocamento nos dá mais controle sobre a precisão com a qual os padrões são colocados e retidos, e também nos permite controlar uma maior variedade de moléculas," explica o Dr. Paul S. Weiss, coordenador da pesquisa.

Uma das limitações da impressão por microcontato é que sua precisão é muito limitada nas bordas da aplicação, devido à tendência das moléculas se espalharem pela superfície - como se o carimbo ficasse borrado nas bordas. A nova técnica de microdeslocamento resolve este problema com a utilização de uma película monocamada auto-montante - uma única camada de moléculas esféricas de adamantanotiolato - que mantém as moléculas estampadas (a tinta do "carimbo") precisamente no lugar.

"Nós fabricamos as moléculas de adamantanotiolato para que elas tivessem uma ligação química fraca com a superfície, de forma que eles se soltem facilmente quando pressionadas por uma molécula de ligação mais forte," explica o Dr. Weiss. As moléculas da "tinta" substituem as moléculas de adamantanotiolato assim que tocam o filme monocamada, mas as moléculas ao redor permanecem ligadas à superfície, evitando que as moléculas aplicadas se espalhem.

A técnica também facilita o processo de fabricação, já que as camadas sucessivas de tinta, necessárias para se construir o componente eletrônico, irão deslocar ou não as moléculas já aplicadas, dependendo de sua força de ligação relativa com a superfície. Isso permite que as "carimbadas" sucessivas possam ser feitas sem a necessidade de um controle absoluto em sua precisão.

A pesquisa será publicada no exemplar de Setembro do periódico científico Nano Letters.





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