Nanotecnologia

Sensores de nanofios têm mesma dimensão das moléculas que detectam

Sensores de nanofios têm mesma dimensão das moléculas que detectam

Cientistas da Universidade de Yale, Estados Unidos, conseguiram produzir nanofios - fios com apenas alguns nanômetros de comprimento - que, além de funcionar como sensores biológicos de altíssima sensibilidade, são feitos em uma pastilha de silício, o que significa que eles poderão ser integrados diretamente com sistema microeletrônicos.

Os nanosensores foram produzidos por meio de litografia, a mesma técnica com que são feitos os chips de computador e utilizando o mesmo material desses chips, as pastilhas de silício.

O que impressiona na pesquisa é a extrema sensibilidade que os nanofios possuem quando funcionam como sensores biológicos. Como eles possuem virtualmente as mesmas dimensões que as moléculas que eles devem detectar, o novos nanosensores poderão revolucionar a forma com que são feitos os diagnósticos em exames médicos e uma série de experimentos em ciência básica.

Os nanofios conseguem detectar concentrações diminutas de biomoléculas - algo como 1.000 moléculas dissolvidas em um milímetro cúbico de solução. E sem a utilização de qualquer reagente ou agente fluorescente ou mesmo marcadores radioativos.

O estudo demonstra a capacidade dos nanofios em monitorar a ligação de anticorpos ("antibody binding") e detectar respostas imunológicas ao vivo e em tempo real utilizando a ativação de linfócitos-T como modelo. Essa detecção acontece em meros 10 segundos, contra várias horas necessárias para o funcionamento dos sistemas atuais.

Como uma escultura

Os novos biosensores baseados em nanofios funcionam mais ou menos como se os cientistas tivessem conseguido plugar diretamente um circuito eletrônico a um sistema bioquímico de células.

Em nanotecnologia, é bastante comum e difundida a idéia de que a técnica de automontagem é a mais promissora para grande parte das nanomáquinas que os cientistas idealizam. Mas não foi este o caminho que os cientistas adotaram neste caso.

"Você pode pensar sobre o processo de construção dos nanofios como uma escultura. Ela pode tanto ser feita desbastando-se uma rocha como montada do nada com argila - nós desbastamos a rocha," explica Eric Stern, o estudante de mestrado que idealizou os nanosensores. "Enfoques anteriores utilizaram o equivalente a uma serra, nós usamos um chisel molecular. Nós fomos capazes de fazer exatamente o que queríamos com a mais tradicional tecnologia disponível."

A tecnologia a que Stern se refere é a litografia, a mesma com que são feitos os chips de computador e que está disponível na maioria dos laboratórios das grandes universidades.

Bibliografia:

Label-free immunodetection with CMOS-compatible semiconducting nanowires
Eric Stern, James F. Klemic, David A. Routenberg, Pauline N. Wyrembak, Daniel B. Turner-Evans, Andrew D. Hamilton, David A. LaVan, Tarek M. Fahmy, Mark A. Reed
Nature
February 1, 2007
Vol.: 445, 519-522
DOI: 10.1038/nature05498




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