Robótica

Proposta quer unificar desenvolvimento de dispositivos e próteses controlados pelo pensamento

Redação do Site Inovação Tecnológica - 31/01/2007

Proposta quer unificar desenvolvimento de dispositivos e próteses controlados pelo pensamento

Vários grupos de pesquisas ao redor do mundo estão trabalhando no desenvolvimento de interfaces eletrônicas com o cérebro humano. O sucesso nessa empreitada poderá representar o fim do drama de pessoas paralisadas total ou parcialmente, por fraturas espinhais, derrames cerebrais ou pelas mais diversas razões.

A partir da análise desses trabalhos e de suas próprias experiências, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, apresentaram um quadro geral que eles acreditam ser o ponto de partida mais viável para que as pesquisas na área possam ser frutíferas a longo prazo.

"Nós estamos agora em uma encruzilhada no desenvolvimento de um novo enfoque para [a criação] de uma interface cérebro-máquina," diz o Dr. Douglas H. Smith. "O sistema nervoso irá certamente se rebelar se você colocar nele eletrodos rígidos ou pontiagudos para gravar sinais. Entretanto, o sistema nervoso pode ser ludibriado para aceitar uma interface que o leve a fazer o que ele gosta - assimilar novas células nervosas em sua própria rede."

No ano passado, toda a imprensa noticiou experiências com o implante cerebral de um chip que estava permitindo que os pacientes controlassem a tela de um computador e várias funções em suas casas apenas com o pensamento. Mas nenhum veículo de comunicação voltou ao assunto quando o cérebro daqueles pacientes rejeitou os implantes.

A proposta da equipe do Dr. Smith elimina esses implantes diretos. A característica central da nova interface é a capacidade que os cientistas já possuem em nível bastante avançado de criar tecido nervoso vivo e transplantável, já conectado a eletrodos.

Esse tecido funcionará como uma espécie de "extensão elétrica": o conector metálico vai ligado ao dispositivo eletrônico, enquanto a extremidade biológica irá se integrar ao nervo do paciente, captando e enviando sinais elétricos para seu corpo.

Para criar sua "extensão elétrica biônica", os cientistas utilizaram um novo processo capaz de fazer crescer fibras nervosas conhecidas como axônios. Duas camadas adjacentes de neurônios são cultivadas em um bioreator e os axônios se espalham para conectar as populações de neurônios das duas placas.

As placas são então cuidadosamente separadas em um processo que leva vários dias, utilizando um sistema motorizado muito preciso, controlado por computador, fazendo com que os axônios alcancem o comprimento desejado para a construção da interface. Para simplificar o trabalho, uma das placas já é o próprio microchip eletrônico que será utilizado para captar e enviar os sinais elétricos para o nervo.

Bibliografia:

Neural Engineering to Produce in Vitronerve Constructs and Neurointerface
Bryan J. Pfister, Jason H. Huang, Niranjan Kameswaran, Eric L. Zager, Douglas H. Smith
Neurosurgery
January 2007
Vol.: Volume 60, Issue 1, 137-142
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