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Telescópio Spitzer vai iniciar "era quente"

A Semana dos Telescópios: Spitzer vai iniciar
[Imagem: Caltech/NASA]

Família famosa

É difícil exagerar a importância dos resultados alcançados até agora pelo Telescópio Espacial Spitzer. Se ele não é tão conhecido do público talvez seja pela dificuldade de se competir com a fama do Hubble. Contudo, é comum encontrarmos na imprensa não-especializada notícias de descobertas feitas pelo Spitzer como se fossem do seu colega mais famoso.

Na verdade, o Spitzer é um dos dois irmãos do Hubble, uma família que conta ainda com o Chandra. Juntos eles formam o programa Grandes Telescópios da NASA. Cada um dos três irmãos foi projetado para observar o Universo em uma parte do espectro eletromagnético.

Olho infravermelho

O Spitzer está para completar a primeira etapa de sua missão científica. Depois de cinco anos e meio no espaço, fotografando os confins do Universo com seu "olho infravermelho", o hélio líquido necessário para manter resfriados alguns de seus instrumentos está para se esgotar.

O fim do material de resfriamento dará início à "era quente" da missão do Spitzer, que usará dois canais de um dos instrumentos que permanecerá funcionando com a capacidade total. Com isto, os cientistas reprojetaram a sua missão, que irá inaugurar uma nova era de observações mais relacionadas à própria Terra e à sua segurança, e ao estudo de planetas extrassolares.

Algumas das observações que ele passará a fazer serão uma continuação das que eram feitas até agora, mas outras serão inteiramente novas.

Vida longa

O Spitzer é especializado em enxergar a radiação infravermelha do cosmos - o que é, essencialmente, calor. Para ser capaz de detectar o calor de corpos muito distantes e muito frios, ele próprio deve ser muito frio. Ao longo dos últimos 5 anos, o hélio líquido percorreu o complexo sistema de refrigeração do telescópio, mantendo seus instrumentos a 0,3 K (-271º C).

No projeto inicial, o equipamento criogênico deveria funcionar dois anos e meio, mas seu design super-eficiente e a operação cuidadosa por parte dos técnicos conseguiu dobrar essa vida útil.

Era quente do Spitzer

A era quente do Spitzer na verdade não se parecerá em nada com um dia de verão. Sua temperatura subirá para -242º C, ainda muito frio, mas não o suficiente para manter funcionando dois de seus instrumentos mais sensíveis - o fotômetro multibanda de ondas longas e o espectrógrafo infravermelho.

Contudo, os dois sensores de ondas mais curtas da sua câmera infravermelha continuarão a funcionar perfeitamente e continuarão a observar asteroides no nosso Sistema Solar, estrelas envoltas em nuvens de poeira, discos de material capazes de formar novos planetas, planetas gigantes gasosos orbitando outras estrelas e até galáxias muito distantes.

Asteroides que ameaçam a Terra

Talvez as descobertas mais surpreendentes do Spitzer sejam aquelas relacionadas com os exoplanetas, ou planetas extrassolares. Em 2005, o Spitzer detectou os primeiros fótons reais de um exoplaneta. Antes dele, tudo o que os astrônomos tinham eram as medições indiretas obtidas medindo a variação de luz que o planeta induz sobre o brilho de sua estrela quando orbita à sua frente.

Agora, para tirar proveito da nova etapa quente do telescópio infravermelho, os cientistas planejam fazer estudos que não foram contemplados na primeira etapa. As novas pesquisas foram selecionadas dentre um conjunto de propostas feitas por cientistas do mundo todo.

As novas observações do Spitzer incluirão o acompanhamento de asteroides potencialmente perigosos para a Terra, que possam a vir entrar em rota de colisão com nosso planeta, cálculos da constante de Hubble (não do telescópio, mas do próprio Hubble), que mostra a velocidade em que o Universo está se expandindo, e a caracterização da atmosfera de exoplanetas gigantes gasosos, que deverão ser descobertos pelo novo telescópio Kepler (veja Telescópio espacial Kepler vai começar busca por outras Terras).





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