Plantão

Astrônomos brasileiros encontram estrela semelhante ao Sol

Astrônomos brasileiros encontram estrela semelhante ao Sol
[Imagem: DFTE/UFRN]

Estrela gêmea do Sol

Uma equipe internacional, liderada por cientistas brasileiros, anunciou a descoberta de uma estrela com as mesmas características do Sol.

A CoRoT Sol 1, como foi batizada, é atualmente a estrela gêmea mais distante na nossa Galáxia.

Esta gêmea solar, como denominam os astrônomos, tem aproximadamente a mesma massa e composição química do Sol, com uma idade aproximada de 6,7 bilhões de anos.

Embora seja chamada de "gêmea", essa idade a torna mais de 2 bilhões de anos mais velha do que o Sol, que tem uma idade estimada em 4,5 bilhões de anos.

"Até o momento, estrelas com características similares à do Sol foram encontradas somente na vizinhança solar", conta o professor José Dias do Nascimento Júnior, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e líder da equipe de astrônomos.

O professor Jorge Meléndez, da USP, também integra a equipe. Sua participação foi essencial na determinação das abundâncias químicas de alguns elementos da estrela CoRoT Sol 1.

Parte da equipe envolvida na descoberta integra a equipe do observatório espacial CoRoT, um projeto internacional que integra pesquisadores da França, Áustria, Bélgica, Brasil, Alemanha e Espanha. O satélite fornece dados espaciais que possibilitam determinar os períodos de rotação das estrelas.

As observações de caracterização da estrela CoRoT Sol 1 foram feitas no telescópio Subaru, pertencente ao Observatório Astronômico Nacional do Japão, localizado em Mauna Kea, no Havaí (EUA).

Astrônomos brasileiros encontram estrela semelhante ao Sol
[Imagem: DFTE/UFRN]

Futuro do Sol

Astrônomos já haviam localizado cinco estrelas na vizinhança solar, entre elas a HIP 56948, encontrada pelo professor Jorge Meléndez. Mas nenhuma delas com as características da recém-descoberta.

A CoRoT Sol 1 tem todas as características de uma gêmea solar, sendo a única que é ligeiramente mais velha que o Sol. Segundo o professor Nascimento, a gêmea já tinha sido observada desde 2007 pelo satélite CoRoT e estava entre as cerca de 230 mil estrelas observadas entre 2007 e 2012.

Com base nos dados do CoRoT, os astrônomos sabiam que o seu período de rotação é um pouco maior do que o Sol, em torno de 29 dias, o que era esperado pela sua maior idade. A informação foi confirmada com os dados do telescópio Subaru.

Além disso, os cientistas descobriram, após análise detalhada, que a gêmea solar é de fato uma estrela com uma massa e composição química semelhante ao Sol. E por ser mais velha, é um precioso material para se estudar o futuro do Sol.

"Embora a composição química global da CoRoT Sol 1 seja semelhante ao Sol, o seu padrão de abundância detalhada mostra algumas diferenças, como é também apresentada pela maior parte das gêmeas solares próximas que são relativamente mais brilhantes", comenta o professor Nascimento. "A comparação da composição química da gêmea é indispensável para sua caracterização".

A estrela CoRoT Sol 1 está localizada na constelação do Unicórnio. Ao contrário de outras gêmeas solares, esta estrela é 200 vezes mais fraca do que a gêmea solar mais brilhante conhecida, a 18 Sco. Somente graças à grande área de coleta do telescópio Subaru, foi possível estudar em detalhe o espectro dessas estrelas fracas.

Além dos professores José Dias do Nascimento Júnior e Jorge Meléndez, participaram das pesquisas o doutor Jefferson da Costa e o professor Matthieu Castro (UFRN); o professor Gustavo F. Porto de Mello, do Observatório do Valongo da UFRJ; e o professor Yoichi Takeda, do Observatório Astronômico Nacional do Japão.

Bibliografia:

The future of the Sun: an evolved solar twin revealed by CoRoT
J.-D. do Nascimento Jr., Y. Takeda, J. Melendez, J.S. da Costa, G.F. Porto de Mello, M. Castro
arXiv
http://arxiv.org/abs/1305.3652




Outras notícias sobre:

Mais Temas