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Balões caçam partículas no ar para estudar formação de chuva

Balões caçam partículas no ar para estudar formação de chuva
Pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos investigam aerossóis e regiões com e sem poluição na Amazônia para entender sua influência na formação de nuvens. [Imagem: Marcelo Chamecki]

Aerossóis na Amazônia

Pesquisadores brasileiros e norte-americanos estão utilizando torres e balões para medir a distribuição vertical dos aerossóis e de núcleos de condensação de nuvens na Camada Limite Atmosférica (CLA) da Amazônia.

Aerossóis são materiais particulados presentes na atmosfera, que podem vir de fontes primárias - sejam elas naturais, como poeiras de desertos ou erupções vulcânicas, ou antropogênicas, derivadas de queimadas ou combustão fóssil - ou de fontes secundárias, resultantes de mecanismos de condensação de produtos gasosos, como aerossóis de sulfato, de nitrato ou orgânicos.

O projeto vem sendo conduzido em duas regiões na Amazônia Central: uma com ar e paisagem de floresta primitiva e outra próxima à cidade de Manaus, que é influenciada pela poluição.

Um dos objetivos do projeto é entender melhor como a cobertura florestal pode influenciar a formação de nuvens, especialmente como o ar da camada limite é injetado na camada de nuvens, e como esses processos são alterados sob a influência da poluição de uma cidade como Manaus.

"Além das torres de fluxo, utilizamos balões presos em cordas, o que representa um aspecto muito interessante do projeto, uma vez que isso permite fazer uma ponte para cobrir a lacuna entre as medidas da superfície, feitas nas torres, com as obtidas pelos balões", disse Celso von Randow, do INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais).

"Estamos investigando o perfil completo dos aerossóis pela CLA [Camada Limite Atmosférica] e trabalhamos com modelagem computacional para analisar o transporte turbulento desses elementos pelas camadas de nuvens", completou.

Turbulência

Os pesquisadores já realizaram medições com balão em uma área ocupada por floresta primitiva. O balão pode atingir 1.800 metros de altitude. Em breve, será adquirido um segundo balão, para medições em outro sítio.

Estão também sendo usados outros instrumentos, como anemômetros sonoros, para medir a turbulência, além da combinação dos dados com medições obtidas por outros projetos, de modo a conseguir resultados mais completos.

"Muito desse esforço é feito para entender a estrutura da turbulência na floresta, isto é, como a floresta realmente influencia o fluxo de ar por entre as copas das árvores e acima delas. Como queremos compreender melhor a química atmosférica e a formação de aerossóis, temos feito muitas medições. Instalamos sensores para ozônio, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos. Temos também medido aerossóis e como essas partículas se tornam os núcleos de condensação das nuvens", disse Randow.

"Com o balão, avaliamos ainda as condições termodinâmicas na Camada Limite Atmosférica. Os resultados de todas essas medições são combinados com simulações computacionais em alta resolução, o que permite estudar o ciclo completo dos gases e partículas na CLA, desde a emissão até o transporte para a camada de nuvens", disse.





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