Eletrônica

Cientistas fotografam buraco quântico deixado por elétron

Cientistas fotografam buraco quântico deixado por elétron de valência
No íon de criptônio as oscilações quânticas na camada de valência ocorrem em ciclos de seis femtossegundos. [Imagem: DOE/Lawrence Berkeley National Laboratory]

Físicos do Instituto Max Planck de Óptica Quântica, na Alemanha, já bateram o recorde mundial de menor tempo já medido e recentemente desbancaram uma teoria de um século, mostrando que o efeito fotoelétrico tem um retardamento temporal devido a uma interação entre os elétrons.

Agora, eles observaram pela primeira vez o que ocorre dentro de um "buraco quântico" - o "vazio" deixado no átomo quando um único elétron de sua camada de valência é ejetado.

Nuvem de elétrons

Os movimentos dos elétrons em suas órbitas atômicas duram apenas alguns poucos attossegundos - um attossegundo é um bilionésimo de um bilionésimo de segundo. Mas o que exatamente essas partículas elementares fazem na "atmosfera dos átomos" é algo ainda em grande parte desconhecido.

O que é bem claro é que não se pode determinar o momento e a localização de uma partícula quântica - como o elétron - ao mesmo tempo. Por isto, o movimento dessas partículas elementares é descrito em termos de uma nuvem de elétrons, chamada "densidade probabilística das partículas".

E esta nuvem de elétrons está sujeita a uma rápida pulsação quando sofre uma excitação, com a incidência de um fóton.

O que os cientistas fizeram agora foi observar o movimento da nuvem de elétrons quando um dos elétrons no átomo é ejetado por um pulso de luz.

Buraco quântico

O experimento é um prosseguimento do estudo anterior, que determinou que um elétron excitado por um fóton - o princípio de funcionamento das células solares - demora 20 attossegundos para deixar o átomo.

Desta vez, a equipe do Dr. Ferenc Krausz usou pulsos de luz de 100 attossegundos para observar o que acontece no local exato de um átomo do gás nobre criptônio onde um elétron é expulso de sua órbita por um pulso de luz.

Quando o pulso de laser arranca um elétron, o átomo se torna um íon, com carga positiva. No momento em que o elétron deixa o átomo, cria-se um "buraco", ou uma lacuna, com carga positiva, dentro do íon.

Do ponto de vista da mecânica quântica, esse espaço livre continua a pulsar dentro do átomo.

Cientistas fotografam buraco quântico deixado por elétron de valência
Em cima, o diagrama clássico de um átomo de criptônio, com seus 36 elétrons em camadas. Embaixo, as fotos virtuais do movimento da lacuna positiva deixada pelo elétron de valência expulso. [Imagem: Goulielmakis et al.]

Os que os físicos conseguiram fazer agora foi observar diretamente esta pulsação, criando uma fotografia virtual do buraco quântico.

Dinâmica das partículas elementares

O experimento demonstrou que a posição da lacuna dentro do íon, ou seja, a localização da carga positiva, move-se para trás e para frente, variando entre uma forma alongada e uma forma compacta, em ciclos com uma duração de 6 femtossegundos - um femtossegundo é a milésima parte do attossegundo.

"Nossas experiências nos deram uma visão única em tempo real desse microcosmo," comenta o Dr. Krausz. "Usando flashes de luz de attossegundos, nós registramos pela primeira vez processos da mecânica quântica dentro de um átomo ionizado."

O feito ajuda a compreender a dinâmica das partículas elementares fora do núcleo atômico, que é mais extensamente estudado em experimentos como o LHC.

Em sistemas mais complexos - em nível molecular - este tipo de dinâmica é o principal responsável pela sequência dos processos químicos e biológicos.

Um entendimento mais preciso dessa dinâmica poderá abrir as portas para o entendimento de fenômenos que vão da origem microscópica de doenças atualmente incuráveis até a aceleração gradual da velocidade de processamento dos computadores.

Bibliografia:

Real-time observation of valence electron motion
Eleftherios Goulielmakis, Zhi-Heng Loh, Adrian Wirth, Robin Santra, Nina, Rohringer, Vladislav S. Yakovlev, Sergey Zherebtsov, Thomas Pfeifer, Abdallah, M. Azzeer, Matthias F. Kling, Stephen R. Leone, Ferenc Krausz
Nature
5 August 2010
Vol.: 466 (7307): 739
DOI: 10.1038/nature09212




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