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Ciberarma Flame foi programada em linguagem desenvolvida no Brasil

Guerra não declarada

A empresa de computação russa Kapersky Labs anunciou a descoberta de um software malicioso chamado Flame.

O programa vem sendo usado pelo menos desde agosto de 2010 para espionar usuários de computador em países do Oriente Médio, marcando a batalha mais recente de uma guerra cibernética não declarada, mas cujas evidências de que se desenrola silenciosamente são cada vez mais claras.

De acordo com a Kapersky Labs, que produz antivírus para computadores, o software espião foi desenvolvido por um governo não identificado.

Logo após o anúncio, o ministro de Assuntos Estratégicos de Israel, Moshé Yaalon, defendeu o uso da ciberarma Flame.

Em uma entrevista à rádio do exército do seu país, ele afirmou que Israel é um país líder em tecnologia e que suas ferramentas de ataque oferecem "todos os tipos de possibilidades". Em entrevista à BBC, um porta-voz do governo israelense negou que seu país tenha sido responsável pela criação do vírus.

As ciberarmas detectadas anteriormente - Stuxnet e Duqu - também foram atribuídas a Israel e aos Estados Unidos.

Linguagem brasileira

A Kapersky classificou o programa espião como "uma das ameaças mais complexas já descobertas".

A empresa também informou que o programa foi criado em uma linguagem de computador desenvolvida no Brasil, mais especificamente na Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

A linguagem, chamada Lua, é um programa de código aberto, distribuída gratuitamente sob a licença conhecida como MIT License.

O Flame é capaz de gravar conversas privadas mantidas pela internet manipulando o microfone do computador infectado ou gravando os textos digitados.

"Uma vez que o sistema é infectado, o Flame começa uma complicada série de operações. Elas incluem espionar a navegação na internet, gravar imagens de telas de computados e conversas, interceptar teclados, entre outras," disse Vitaly Kamluk, especialista da Kapersky.

O sistema se ativa automaticamente quando a vítima usa programas de correio eletrônico e de mensagens instantâneas.

As fotos das telas e as gravações de áudio são então comprimidas e enviadas pela internet para o autor do ataque.

Guerra cibernética

A Kapersky diz acreditar que os ataques por meio do software espião afetaram ao menos 600 alvos, entre eles indivíduos, empresários, instituições acadêmicas e sistemas de governo.

Foram encontrados sinais do programa em computadores do Irã, de Israel, da Síria, do Líbano, do Egito, da Arábia Saudita e do Sudão.

O tamanho desse ataque seria o principal indício de que o software não foi criado por criminosos comuns, já que a ciberarma.tem características de uma ofensiva massiva financiada por um Estado.

"A geografia dos objetivos e a complexidade da ameaça não deixa dúvidas de que foi um Estado que patrocinou a pesquisa que o projetou", disse Kamluk.





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