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Cientista sonha em construir cérebro humano artificial em 10 anos

Cientista sonha em construir cérebro humano artificial em 10 anos
Esta não é a primeira vez que um cientista deixa de lado a ciência e parte para o marketing, com vistas a chamar a atenção, para si próprio ou para suas pesquisas.[Imagem: BBC]

Um cérebro humano artificial pode ser construído dentro dos próximos 10 anos, segundo Henry Markram, um proeminente cientista sul-africano.

"Não é impossível construir um cérebro humano e podemos fazer isso em 10 anos", disse Markram, diretor do Projeto Cérebro Azul (Blue Brain Project - BBP), à conferência acadêmica global TED na cidade de Oxford, na Inglaterra.

Virtualmente ninguém acredita nele, mas ele provavelmente já atingiu o seu objetivo - chamar a atenção.

Simulação do cérebro

O BBP é um projeto científico internacional, financiado pelo governo suíço e doações de indivíduos, cujo objetivo é construir uma simulação computadorizada do cérebro de mamíferos - veja mais detalhes em Cientistas querem criar um Cérebro Virtual.

Markram já construiu elementos do cérebro de um camundongo. A equipe do cientista se concentra especificamente na coluna neocortical, conhecida como neocórtex.

10 mil laptops

O projeto atualmente tem um modelo de software de dezenas de milhares de neurônios, cada um deles diferente, que os ajudou a construir, artificialmente, uma coluna neocortical.

A equipe coloca os dados gerados pelos modelos junto com alguns algoritmos - uma sequência de instruções para solucionar um problema - em um supercomputador.

"Você precisa de um laptop para fazer todos os cálculos para um neurônio", disse ele. "Portanto você precisa de 10 mil laptops", afirmou.

Esta afirmação coloca em bases mais concretas o objetivo da pesquisa, que é o de simular uma seção do neocórtex, uma parte de um cérebro de camundongo.

Além de colocar em perspectiva a afirmação inicial do pesquisador, de construir uma réplica do cérebro humano em 10 anos - estima-se que o cérebro humano tenha entre 50 e 100 bilhões de neurônios, o que dá uma dimensão do exagero da afirmação inicial de Markram.

Progressos reais

As simulações já começaram a fornecer pistas aos pesquisadores sobre o funcionamento do cérebro. Elas podem, por exemplo, mostrar ao cérebro uma imagem, como uma flor, e seguir a atividade elétrica da máquina, ou seja, como é feita a representação da imagem.

"Você estimula o sistema e ele cria sua própria representação", disse ele.

O objetivo é extrair esta representação e projetá-la, permitindo que os pesquisadores vejam diretamente como o cérebro funciona.

Segundo Markram, além de ajudar na compreensão dos mecanismos do cérebro, o projeto pode oferecer novos caminhos para se entender os problemas mentais.

"Cerca de dois bilhões de pessoas no planeta sofrem de distúrbios mentais", disse o cientista, reforçando os benefícios em potencial do projeto.

Trocando a ciência por marketing

Esta não é a primeira vez que um cientista deixa de lado a ciência e parte para o marketing, com vistas a chamar a atenção, para si próprio ou para suas pesquisas.

Em Outubro de 2007, o renomado biólogo norte-americano Craig Venter afirmou em uma entrevista que poderia construir vida artificial dentro de seis meses. Os seis meses passaram rápido demais e agora ele passa suas horas vagas tentando convencer a todos de que não prometera nada.

Markram foi um pouco mais cuidadoso - talvez, dentro de 10 anos, ninguém se lembre do que ele tenha dito agora. Ou ele revise suas pretensões.





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