Eletrônica

Circuito de silício impresso em papel com laser

Circuito de silício impresso em papel com laser
Uma camada de polissilício de alta mobilidade eletrônica foi formada disparando pulsos de laser sobre o papel recoberto com uma tinta líquida.[Imagem: M. Trifunovic et al./TUDelft]

Silício flexível

Por essa os concorrentes do silício não esperavam.

Pesquisadores holandeses e japoneses conseguiram construir transistores de silício sobre uma folha de papel usando raios laser.

Quando o assunto são telas e circuitos eletrônicos flexíveis, as maiores esperanças vinham sendo depositadas na eletrônica orgânica, com tintas eletrônicas feitas à base de compostos de carbono. Os resultados têm sido entusiasmantes, mas a eficiência dos circuitos ainda está longe do silício.

Miki Trifunovic fez sua própria tinta eletrônica usando silício policristalino, o mesmo usado nos circuitos eletrônicos comuns. Depois de aplicada a tinta, em estado líquido, sobre o papel, um pulso de laser se encarrega de criar os transistores.

Já era possível imprimir circuitos de silício, mas isso exigia temperaturas ao redor dos 350ºC, o suficiente para queimar o papel ou derreter um substrato flexível. Com o pulso de laser ultrarrápido, o silício líquido é transformado diretamente em silício policristalino em uma fração de segundo, muito antes que o substrato seja afetado.

Circuitos eletrônicos comestíveis

Para demonstrar o potencial da técnica de cristalização rápida, a equipe escolheu o papel para mostrar a viabilidade da fabricação de componentes eletrônicos de vestir mesmo nos materiais mais sensíveis ao calor.

Os transistores criados com a impressão assistida a laser apresentaram mobilidades tão elevadas quanto as dos transistores de polissilício convencionais, mostrando que a eficiência não será um entrave ao uso da técnica.

A equipe afirma que o próximo passo será otimizar o processo de fabricação para incluir camadas adicionais de outros materiais, para a criação de circuitos completos.

"O processo poderá ser expandido para a fabricação de sensores biomédicos e células solares, e também permite a fabricação de circuitos eletrônicos esticáveis - e até comestíveis," disse o professor Ryoichi Ishihara, da Universidade Tecnológica de Delft.

Bibliografia:

Solution-processed polycrystalline silicon on paper
Miki Trifunovic, T. Shimoda, Ryoichi Ishihara
Applied Physics Letters
Vol.: 106, 163502
DOI: 10.1063/1.4916998




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