Espaço

Como remover o lixo espacial

ESA e fabricantes planejam como remover lixo espacial
Há muita atenção voltada para os métodos ativos de remoção do lixo espacial. [Imagem: ESA]

Desocupar o espaço

"O que sobe tem de descer." No campo dos satélites artificiais, este ditado ganhou força de lei.

O regulamento internacional prevê que seja deixada uma quantidade mínima de detritos em órbitas de grande utilização, especialmente as órbitas baixas preferidas pelas missões de observação da Terra e algumas classes de satélites de comunicação - e, claro, algumas naves e a Estação Espacial Internacional.

Para estas órbitas, que vão até aos 2.000 km de altitude, o requisito é que os satélites sejam removidos dentro de, no máximo, 25 anos após o fim de sua vida útil. As indicações são de que eles passarão a ser movidos para uma altitude em que a resistência da atmosfera force sua reentrada. Uma alternativa sendo considerada é enviá-los para "órbitas cemitério", ainda a serem definidas, onde a demanda de ocupação seja menor.

Ou seja, as empresas ainda não sabem exatamente como terão que alterar seus projetos. O que se sabe é que os satélites terão que levar mais combustível para literalmente desocupar o espaço que ocuparam durante sua vida útil.

Quanto mais massa é acrescentada ao satélite, menos é deixado para a carga útil, a parte que de fato concretiza os objetivos da missão, o que deverá elevar os custos de fabricação dos novos satélites. E isto também significa que os satélites menores terão mais dificuldades em cumprir os requisitos de mitigação. Por isso há muita atenção voltada para os métodos ativos de remoção do lixo espacial.

Lixeiros espaciais

Para discutir essas e outras questões relacionadas ao lixo espacial, a ESA (Agência Espacial Europeia) realizará, em março próximo, uma reunião com todos os fabricantes de satélites para discutir um novo modelo para as missões de órbita baixa, de forma que estas respeitem as regulamentações anti-lixo especial.

Na realidade, algo precisa ser feito sob todos os pontos de vista: caso contrário, por exemplo, órbitas baixas chave poderiam ficar inutilizáveis por se encherem de lixo especial, atrapalhando o negócio dessas empresas.

Durante o encontro serão analisadas novas tecnologias dedicadas a diminuir a quantidade de satélites abandonados, reduzindo o risco de colisões orbitais pelo aumento de lixo especial e, ao mesmo tempo, a ameaça que constitui a reentrada descontrolada de satélites.

"Este evento é um passo essencial no envolvimento de todo o setor europeu do espaço para um passo à frente nos satélites de órbita baixa," explicou a organizadora do evento, Jessica Delaval. "As empresas terão oportunidade de avançar nas suas próprias tecnologias de mitigação de lixo espacial."

ESA e fabricantes planejam como remover lixo espacial
Segundo estudos da ESA, agora e no futuro, o maior risco de colisão de satélites com lixo espacial ocorre sobre os polos da Terra. [Imagem: ESA]

Limpeza do lixo espacial

Há mais de 12 mil detritos espaciais detectáveis, superiores a 10 cm, em órbita da Terra, incluindo satélites abandonados e fragmentos de missões - constituindo todos um perigo real para as missões atuais.

A quantidade de objetos pequenos e indetectáveis é da ordem de milhões: centenas de milhares de peças entre 1 e 10 cm e milhões de peças menores. A velocidade orbital, uma peça de um centímetro pode ter o impacto de uma granada de mão se acertar outro objeto.

A grande expectativa é que o evento da ESA aponte novas ideias não apenas para as abordagens passivas, mas também para missões ativas de remoção do lixo espacial.

Uma das propostas envolve o lançamento de satélites garis ou microssatélites equipados com motores para arrastar o lixo espacial de volta - como o suíço CleanSpace One.

A NASA está testando a ideia de usar velas solares instaladas nos próprios satélites artificiais a serem lançados no futuro, mas também trabalha no desenvolvimento de raios tratores para eliminar o lixo já existente.

Outra proposta com possibilidade de implementação a curto prazo envolve um canhão laser de alta potência, que geraria jatos de plasma ao redor do detrito espacial. Esses jatos funcionariam como pequenos foguetes, desviando o detrito e fazendo-o reentrar na atmosfera, onde se queimaria:

A expectativa é que, ao final do evento, as empresas apontem quais dessas - ou outras - tecnologias elas irão apoiar e testar.





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