Nanotecnologia

Como transformar as promessas da nanotecnologia em sucesso comercial

Com informações da UE - 05/06/2013

Como transformar as promessas da nanotecnologia em sucesso comercial
Há luz e escuridão no fim do túnel da nanotecnologia. É preciso ter foco no mercado para sai no lado da luz.[Imagem: PRONANO]

A nanotecnologia sofreu um duro golpe neste mês, quando a empresa Bayer anunciou o fechamento de sua unidade de fabricação de nanotubos de carbono, alegando, em outras palavras, fracasso comercial.

É bom lembrar que os nanotubos de carbono eram o "material do futuro" até o surgimento do grafeno - uma folha de grafeno é essencialmente um nanotubo desenrolado, ou vice-versa.

É certo que a nanotecnologia já oferece uma vasta gama de benefícios, mas oferece uma gama muito maior de potenciais benefícios, tornando possíveis avanços em tudo, desde medicamentos e cosméticos até a geração de energia, a eletrônica e até mesmo roupas hi-tech.

O problema é que muito pouco das pesquisas está sendo traduzido em sucesso comercial - em produtos finais que podemos usar e tirar proveito.

Preocupada com isso, a União Europeia bancou um projeto de dois anos de duração para tentar avaliar porque as tão promissoras descobertas da nanotecnologia não estão se transformando em promissores produtos.

O relatório final do projeto ProNano acaba de ser divulgado, e mostra que as potencialidades da nanotecnologia não estão se transformando em benefícios reais sobretudo por problemas de gerenciamento.

Testes reais de negócio

O estudo não se restringiu a um trabalho de laboratório ou compilação de resultados - o grupo colocou a mão na massa para ver o que era possível fazer para transformar resultados científicos promissores em inovações prontas para comercialização.

Foram identificadas 50 oportunidades potenciais de negócio entre os resultados recentes das pesquisas em nanotecnologia, das quais 30 foram selecionadas para receber um apoio para tentar traduzir seus resultados de pesquisa em desenvolvimento comercial.

Ao final do projeto, 10 delas tinham conseguido criar spin-offs - empresas emergentes focadas na comercialização de uma tecnologia recém-desenvolvida - garantindo acordos de licenciamento ou a obtenção de alguma outra forma de investimento.

O resultado é impressionante - uma taxa de sucesso de 20% considerando a amostra original de 50 oportunidades.

Além disso, os fluxos de investimento facilitados pela ação dos membros do ProNano atingiram 17 vezes o financiamento original fornecido para a pesquisa.

Macrogerenciamento

O resultado dessa experiência foi a identificação de várias barreiras à exploração comercial dos resultados das pesquisas em nanotecnologia.

Entre elas está a constatação de que os programas de financiamento público não reconhecem adequadamente a complexidade do processo de inovação, sendo incapazes de oferecer apoio para as fases principais do desenvolvimento de produto e do desenvolvimento de um modelo de negócio.

Por sua vez, os cientistas não têm conhecimento dos mercados que poderiam usar suas descobertas.

Sem nenhuma ideia se a sua tecnologia tem uma aplicação no mundo real, os pesquisadores tendem a adotar uma abordagem que consiste essencialmente em criar "soluções" de nanotecnologia para problemas que ainda não foram identificados no mundo real.

Uma outra barreira consiste na enorme multiplicidade de possíveis aplicações da nanotecnologia, com muitos pesquisadores desenvolvendo tecnologias sem focar em mercados específicos.

"Se você quiser ter alguma chance de negócio, você tem que escolher e se especializar e ser eficiente na opção de mercado mais promissora", recomendou Francisco de Aristegui, coordenador do projeto.

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