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Descoberto rio de ferro derretido ao redor do Polo Norte

Descoberto rio de ferro derretido ao redor do Polo Norte
O rio, quase tão quente quanto a superfície do Sol, mede cerca de 420 quilômetros de largura e vem ganhando velocidade. [Imagem: Philip W. Livermore et al. - 10.1038/ngeo2859]

Rio quente

O trio de satélites SWARM, da ESA, que voa em formação para estudar o campo magnético da Terra, fez uma descoberta surpreendente.

Nas profundezas da Terra, perto do núcleo do planeta, um enorme rio de ferro fundido está correndo cada vez mais rápido em torno da região Ártica, da Sibéria ao Alasca.

O rio, quase tão quente quanto a superfície do Sol, mede cerca de 420 quilômetros de largura e vem ganhando velocidade.

Atualmente ele circula a uma velocidade entre 40 e 45 quilômetros por ano - isso é três vezes mais rápido do que as velocidades típicas do núcleo externo e centenas de milhares de vezes mais rápido do que o movimento das placas tectônicas da Terra.

Descoberto rio de ferro derretido ao redor do Polo Norte
O campo magnético é um dos poucos instrumentos de que dispomos para estudar o núcleo da Terra. [Imagem: ESA/AOES]

Corrente no núcleo exterior

"Graças à missão, obtivemos novos conhecimentos sobre a dinâmica do núcleo da Terra e é a primeira vez que essa corrente foi vista e não só - também entendemos por que ela está lá," disse Phil Livermore, da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

O rio de metal fundido surgiu dos dados na forma de um padrão de "fragmentos de fluxo" estampados no padrão magnético do hemisfério norte, formando um círculo que vai do Alasca à Sibéria.

"Estes fragmentos de fluxo de alta latitude são como pontos brilhantes no campo magnético e tornam mais fácil ver as mudanças no campo," explicou Livermore. "Podemos explicar [o rio de ferro fundido] como a aceleração numa faixa de núcleo fluido circundando o polo, como o fluxo de correntes na atmosfera."

O rio surge conforme a corrente flui ao longo de uma "fronteira" entre duas regiões diferentes no núcleo. Quando o material no núcleo líquido se move para este limite a partir de ambos os lados, o líquido convergente é espremido e forçado na perpendicular, formando o fluxo.

"Claro que é necessária uma força para mover o fluido para essa fronteira," comentou Rainer Hollerbach, outro membro da equipe. "Ela poderia ser fornecida pela flutuabilidade, ou talvez, mais provavelmente, pelas mudanças no campo magnético dentro do núcleo."

Descoberto rio de ferro derretido ao redor do Polo Norte
Os três satélites da missão Swarm (enxame ou cardume) voam em formação para estudar o campo magnético terrestre. [Imagem: ESA/AOES]

Como estudar o núcleo da Terra

O trio de satélites foi projetado para medir os diferentes campos magnéticos que derivam do núcleo, manto, crosta, oceanos, ionosfera e magnetosfera terrestres - juntos, esses sinais formam o campo magnético que nos protege da radiação cósmica e das partículas dos ventos solares.

Como não conseguimos perfurar muito fundo na crosta, esses campos magnéticos são praticamente o único instrumento de que dispomos para estudar as profundezas da Terra. "Sabemos mais sobre o Sol do que sobre o núcleo da Terra porque o Sol não se esconde de nós por 3.000 km de rocha," explicou Chris Finlay, da Universidade Técnica da Dinamarca, membro da equipe.

Acredita-se que o campo magnético terrestre existe devido a um oceano de ferro líquido superaquecido e em constante movimento, compondo o que se conhece como núcleo exterior. O movimento desse metal derretido cria correntes elétricas que, por sua vez, geram o nosso campo magnético.

Assim, como o ferro no núcleo se move, o campo magnético da Terra está mudando constantemente - e estudar essas mudanças no campo magnético permite inferir como o ferro se move no núcleo. A precisão das medições pela constelação de satélites Swarm permite separar as diferentes fontes de magnetismo, tornando a contribuição do núcleo muito mais clara.

Bibliografia:

An accelerating high-latitude jet in Earth’s core
Philip W. Livermore, Rainer Hollerbach, Christopher C. Finlay
Nature Geoscience
DOI: 10.1038/ngeo2859




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