Nanotecnologia

Efeito fotoelétrico: elétrons hesitam ao serem atingidos pelos fótons

Efeito fotoelétrico: elétrons hesitam ao serem atingidos pelos fótons
O movimento dos elétrons em dimensões muito pequenas determina o rumo de todos os processos biológicos e químicos, para não mencionar a velocidade dos microprocessadores.[Imagem: MPQ]

Fotoemissão

Quando os fótons atingem os átomos, sendo absorvidos por eles, os elétrons atingem o chamado estado excitado. Se os fótons tiverem energia suficiente, os elétrons podem ser ejetados do átomo.

Esse efeito, conhecido como fotoemissão, foi explicado por Einstein mais de cem anos atrás e lhe valeu o Prêmio Nobel, e é a base do funcionamento das células solares e de uma série de outras tecnologias.

Até hoje, tem sido assumido que, imediatamente após o impacto dos fótons, os elétrons começam a sair do átomo.

Este ponto no tempo pode ser detectado e, ao longo deste mais de um século, ele tem sido considerado como coincidente com o momento da chegada do pulso de luz, ou seja, como o "tempo zero" na interação da luz com a matéria.

Tempo zero do efeito fotoelétrico

Mas não é bem assim. Ou, pelo menos, é ligeiramente diferente disso. Mais propriamente, é cerca de 20 attossegundos diferente.

Um attossegundo é um bilionésimo de um bilionésimo de segundo, estando para um segundo assim como um segundo está para a idade do Universo. O recorde mundial de medição do tempo - um recorde do menor tempo já medido - tem uma incerteza de 12 attossegundos.

Usando a mesma tecnologia usada nessa medição de tempos ultra-curtos, uma equipe de físicos da Alemanha, Áustria, Grécia e Arábia Saudita pôde, pela primeira vez, verificar que o "tempo zero" do efeito fotoelétrico não é exatamente zero.

Suas medições revelaram que os elétrons de diferentes orbitais atômicos excitados simultaneamente por um pulso de luz deixam o átomo com um intervalo de tempo pequeno, mas mensurável, de cerca de vinte attossegundos.

Esta descoberta contradiz a hipótese histórica anterior de que os elétrons deixam o átomo imediatamente após o "impacto" do pulso de luz. E o impacto sobre a física é tão significativo que a medição mereceu a capa da edição de hoje da revista Science.

Interação entre elétrons

O estudo aponta uma provável causa da "hesitação" dos elétrons em deixarem o átomo: os elétrons interagem não apenas com seu núcleo atômico, mas são também influenciados uns pelos outros.

Essa interação elétron-elétron seria a responsável pelo ligeiro retardamento da partida do elétron em relação ao momento em que ele é atingido pela luz incidente.

"Essas interações ainda muito mal compreendidas têm uma influência fundamental sobre os movimentos dos elétrons em dimensões muito pequenas, determinando o rumo de todos os processos biológicos e químicos, para não mencionar a velocidade dos microprocessadores," afirma Ferenc Krausz, coautor da pesquisa.

Bibliografia:

Delay in Photoemission
M. Schultze, M. Fieb, N. Karpowicz, J. Gagnon, M. Korbman, M. Hofstetter, S. Neppl, A. L. Cavalieri, Y. Komninos, Th. Mercouris, C. A. Nicolaides, R. Pazourek, S. Nagele, J. Feist, J. Burgdörfer, A. M. Azzeer, R. Ernstorfer, R. Kienberger, U. Kleineberg, E. Goulielmakis, F. Krausz, V. S. Yakovlev
Science
25 June 2010
Vol.: 328: 1658-1662
DOI: 10.1126/science.1189401




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