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Estudantes brasileiros estão na final de concurso da Airbus

Estudantes brasileiros estão na final de concurso da Airbus
Os alunos inspiraram-se nas más condições dos trabalhadores que carregam e descarregam bagagens, e criaram um sistema que beneficia a todos, incluindo empresa, aeroporto e passageiros. [Imagem: Marcos Salvi Philipson]

Ideias que voam

Está acontecendo nesta semana, na sede da Airbus - uma das maiores fabricantes de aviões comerciais do mundo - a etapa final do concurso internacional Airbus - Fly Your Ideas - "faça suas ideias voarem", em tradução livre.

O concurso tem a proposta de desafiar estudantes universitários do mundo todo para elaborar planos inovadores de desenvolvimento sustentável no campo da aviação.

Entre os cinco finalistas, está a equipe Levar, composta por Marcos Philipson, Leonardo Akamatsu, Adriano Furtado, Caio Reis e Henrique Corazza, alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

A equipe brasileira desenvolveu um projeto para aumentar a velocidade no carregamento e descarregamento dos compartimentos de carga do avião, diminuindo o tempo que a aeronave ocupa espaço no aeroporto.

Bagagens deslizantes

O sistema emprega um mecanismo de bolsões de ar, com superfícies de baixo atrito, que inflam e desinflam, gerando planos diagonais que permitem o deslize das bagagens.

"Uma das maiores reclamações dos passageiros é justamente o tempo que demora para que eles recebam as malas de volta quando chegam de viagem," comenta o líder do grupo, Marcos Philipson.

"[A proposta do grupo] está perfeitamente encaixada com uma série de problemas que hoje nós vivemos nos aeroportos, como extravio e danificações de bagagens, e, principalmente, com a questão das leis e normas que foram estabelecidas ano passado, que determinaram tempos mínimo e máximo para que as empresas aéreas embarquem e desembarquem uma bagagem", comenta o professor Robinson Salata, orientador da equipe Levar.

Além da empresa e dos passageiros, os trabalhadores também serão beneficiados, precisando fazer menos esforço braçal para carregar e descarregar as bagagens.

Estudantes brasileiros estão na final de concurso da Airbus
O sistema emprega um mecanismo de bolsões de ar, com superfícies de baixo atrito, que inflam e desinflam, gerando planos diagonais que permitem o deslize das bagagens. [Imagem: Marcos Salvi Philipson]

Dificuldades dos trabalhadores

A propósito, foi a dificuldade dos trabalhadores que inspirou a equipe, que constatou o problema durante uma visita à Embraer.

Salata destaca como o grupo ficou impressionado com as dificuldades a que estão sujeitos os trabalhadores que fazem o embarque/desembarque das bagagens, que vão desde questões de saúde (principalmente de natureza postural) até a demanda acelerada.

"Foi aí que eles [os alunos da equipe] começaram a desenvolver essa ideia de um sistema mais automatizado, que envolvesse um contato menor possível do ser humano com o embarque de bagagens. Eles também fizeram todo um trabalho de investigação de pesquisa. Conversaram com pessoas que trabalham realizando essa atividade. Entrevistaram pessoas ligadas ao setor aeronáutico. Enfim, foram reconhecendo de maneira mais aprofundada esse campo de trabalho. Até que surgiu o concurso da Airbus e eu topei atuar como tutor, pois evidentemente era um trabalho muito bacana e que tinha tudo para dar certo", conta Salata.

Campeões

ATUALIZAÇÃO - A equipe brasileira sagrou-se campeã da competição, levando um prêmio de 30 mil euros, que será entregue na sede da UNESCO em Paris.

A USP, Universidade de origem da equipe, servirá como sede para uma "Semana de Inovação", promovida por especialistas da Airbus em data ainda a ser divulgada.





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