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Explosão descomunal brilha 20 vezes mais que Via Láctea

Explosão descomunal brilha 20 vezes mais que Via Láctea
Ilustração artística da superexplosão cósmica, que emitiu luz equivalente a 20 galáxias inteiras.[Imagem: Wayne Rosing]

Super explosão cósmica

Astrônomos flagraram a maior explosão cósmica já documentada, tão grande que não cabe em nenhuma teoria.

A princípio, eles estão considerando ser a supernova mais brilhante jamais vista - uma "super supernova" -, mas ainda resta imaginar o que seria o misterioso objeto em seu centro, que teria gerado explosão tão descomunal.

O que se viu foi uma bola de gás quente, a 3,8 bilhões de anos-luz da Terra, irradiando energia equivalente a 570 bilhões de sóis - se isso não lhe dá uma ideia da dimensão, é aproximadamente 20 vezes toda a luz irradiada simultaneamente pelas mais ou menos 100 bilhões de estrelas que compõem nossa Via Láctea.

A explosão está sendo chamada ASASSN-15lh.

A julgar pelas medições feitas até agora, no coração dessa explosão está um objeto um pouco maior do que 16 quilômetros de diâmetro - mas que objeto é este é algo que os astrônomos ainda não têm uma ideia clara.

Estrela-bomba

"Nós temos que nos perguntar, como é que é possível?" confessou Krzysztof Stanek, membro da equipe. "É preciso muita energia para brilhar tão fortemente, e a energia tem de vir de algum lugar."

"A resposta honesta neste ponto é que nós não sabemos o que poderia ser a fonte de energia da ASASSN-15lh", admite Dong Subo, principal autor da análise.

Para não ficar totalmente no escuro, a equipe sugeriu uma primeira hipótese. A supernova poderia ter sido gerada por um tipo extremamente raro de estrela, chamada magnetar de milissegundos, um tipo de estrela magnética que desafia a teoria dos buracos negros.

Mas, para brilhar tanto, este magnetar teria que girar pelo menos 1.000 vezes por segundo e converter toda a energia de rotação em luz com quase 100% de eficiência. Seria o exemplo mais extremo de um magnetar que os astrônomos acreditam ser fisicamente possível.

Explosão descomunal brilha 20 vezes mais que Via Láctea
À esquerda, uma imagem anterior da galáxia onde ocorreu a explosão. À direita, observe como o brilho da explosão torna mais tênue o brilho de tudo o mais ao redor. [Imagem: The Dark Energy Survey/B. Shappee/ASAS-SN]

Super supernova

A explosão foi flagrada por astrônomos amadores em junho de 2015, e a seguir estudada pelo projeto ASAS-SN (All Sky Automated Survey for SuperNovae), uma colaboração internacional sediada na Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, que utiliza uma rede de telescópios ao redor do mundo para fazer a varredura do céu a cada duas ou três noites procurando por supernovas.

Essa rede de telescópios é capaz de identificar supernovas normais a até cerca 350 milhões de anos-luz da Terra. Mas essa "super-supernova" nada tem de normal. Na verdade, se for mesmo uma supernova, é a maior já vista e, potencialmente, a maior possível.

Bibliografia:

ASASSN-15lh: A highly super-luminous supernova
Subo Dong, Benjamin J. Shappee, J. L. Prieto, S. W. Jha, Krzysztof Z. Stanek, T. W.-S. Holoien, C. S. Kochanek, T. A. Thompson, Nidia Morrell, Ian B. Thompson, U. Basu, J. F. Beacom, D. Bersier, J. Brimacombe, J. S. Brown, F. Bufano, Ping Chen, E. Conseil, A. B. Danilet, E. Falco, D. Grupe, S. Kiyota, G. Masi, B. Nicholls, F. Olivares E., G. Pignata, G. Pojmanski, G. V. Simonian, D. M. Szczygiel, P. R. Wozniak
Science
Vol.: 351 ISSUE 6270 pp 257-260
DOI: 10.1126/science.aac9613




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