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Formação profissional é principal gargalo para a inovação no Brasil

A falta de pessoas preparadas para inovar é um dos principais gargalos para o avanço da inovação tecnológica no Brasil.

A avaliação é do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ronaldo Mota, em palestra sobre o tema no 2º Simpósio de Inovação Tecnológica, promovido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Barra Funda (SP).

Investimento em inovação

De acordo com o secretário, um desafio difícil e complexo, porém necessário e imprescindível para se alcançar competitividade e desenvolvimento sustentado.

"O investimento bem-sucedido em inovação aumenta a produtividade; cria novos produtos para as empresas e para o País, gera mais e melhores empregos; amplia a competitividade nos mercados globais e soluciona problemas da sociedade em áreas como saúde, meio ambiente, defesa e complexos urbanos", argumenta.

Segundo Mota, embora o Brasil tenha hoje mais de 100 mil pesquisadores e a maior e mais qualificada comunidade de Ciência e Tecnologia da América Latina, ainda é preciso fazer com que esse conhecimento resulte em inovação. Para isso, além da integração entre academias e empresas, outro gargalo a ser superado é a ampliação do investimento por parte do setor empresarial.

O governo investe 0,59% do Produto Interno Bruto (PIB) em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), enquanto o setor empresarial é responsável por 0,5%. "Nos países avançados, mais de 70% dos dispêndios são realizados pelas empresas. Só as grandes empresas investem 60% do total aplicado em pesquisa e desenvolvimento no mundo", comparou.

O secretário aponta, entre os motivos para essa realidade brasileira, a falta de cultura empresarial e de políticas governamentais. De acordo com ele, um cenário em processo de mudança nos últimos anos, por conta da criação de novos mecanismos de incentivo.

Inovação nas empresas

Até recentemente, só havia no Brasil dois instrumentos do governo para apoiar a inovação nas empresas: os incentivos fiscais pela Lei de Informática e o crédito da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), com juros de TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) + 5%.

Mota disse que esse incentivo aumentou com novos instrumentos e programas dentro do Programa Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação (PACTI), articulado com a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP):

São eles: crédito com juros baixos para inovação, participação em fundos de capital de risco, participação acionária em empresas inovadoras, incentivos fiscais (Lei de Informática e Lei do Bem), subvenção econômica para inovação (Editais Nacionais), programa nacional de incubadoras e parques tecnológicos, alterações na Medida Provisória 495 para beneficiar empresas nacionais em compras governamentais, apoio a P&D nas empresas por instituições de pesquisa e o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec).

O investimento das empresas brasileiras em inovação (beneficiadas com incentivos pela Lei do Bem) cresceu de 0,09% (R$ 2,1 milhões) para 0,28% (R$ 8,1 milhões) do PIB, no período de 2006 a 2008.





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