Informática

Internet da Coisas: as dificuldades para tornar as coisas mais simples

Futurismo na prática

A chamada "internet das coisas" é um sonho desde o surgimento das etiquetas inteligentes RFID.

A ideia de conectar virtualmente qualquer aparelho à internet facilitará não apenas o projeto dos edifícios inteligentes, como também tornará possível o monitoramento remoto de um sem-número de outros dispositivos, desde medidores de água e energia e sensores ambientais, até implantes médicos.

Mas como um "sem-número de possibilidades" pode ser levar a um "sem-número de caminhos" - o que equivale a caminho nenhum - pesquisadores europeus resolveram construir laboratórios em larga escala para testar alguns dos principais conceitos envolvendo a internet das coisas.

O problema é que, embora o futurismo seja fácil de ser feito, bastando imaginar as aplicações possíveis, implantar as tecnologias imaginadas nem sempre é fácil.

Os primeiros resultados mostram que, por um lado, o de ver uma nova tecnologia em testes, os resultados são entusiasmantes. Por outro, contudo, aquele lado de verificar como fazer o sonho virar realidade, dá para ver alguns desafios a serem vencidos.

Internet da Coisas: as dificuldades para tornar as coisas mais simples
Embora o futurismo seja fácil de ser feito, bastando imaginar as aplicações possíveis, implantar as tecnologias imaginadas nem sempre é fácil. [Imagem: IOTA]

Arquitetura da Internet das Coisas

O projeto IoT-A (Internet of Things - Architecture) tem por objetivo, como seu nome indica, fazer um esboço das arquiteturas de hardware e de software necessárias para viabilizar a conexão de qualquer coisa à internet.

Embora a internet das coisas já conte com uma proposta de linguagem e até com um site de aplicativos, tudo ainda é feito em cima da arquitetura atual da internet. E muitos pesquisadores acreditam que este pode não ser o caminho.

"Na nossa visão, o IOT-A vai expandir as fronteiras da internet de hoje para abranger o mundo físico e permitir a identificação, captura de informações e o entendimento dessas informações," afirmou o Dr. Thorsten Kramp, cientista da computação da IBM, na Suíça, e membro do projeto.

Para os experimentos foram montados dois laboratórios em grande escala.

Internet da Coisas: as dificuldades para tornar as coisas mais simples
A ideia é que, no futuro, o hospital seja alertado se qualquer morador apresentar algum risco iminente de saúde. [Imagem: Living Labs]

Saúde na era da informação

O primeiro é um ambiente doméstico de cuidados com a saúde, criado na Universidade de Roma e no Living Lab da Espanha - o Living Lab (laboratórios vivos, em tradução livre) é uma rede de laboratórios espalhados por toda a Europa.

Será usado o eHealth Living Lab, este criado especialmente para estudar as novas tecnologias que aplicam as tecnologias da informação aos cuidados com a saúde.

Os dados coletados nos dois ambientes de laboratório - que tem como objetivo simular uma residência do futuro, onde os moradores terão sua saúde monitorada constantemente - serão enviados para hospitais reais, para checagem de alterações fisiológicas importantes.

A ideia é que, no futuro, o hospital seja alertado se qualquer morador apresentar algum risco iminente de saúde.

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As etiquetas nano-RFID, projetadas para substituir os códigos de barras, são o principal hardware atualmente disponível para a internet da coisas. [Imagem: Gyou-Jin Cho/Sunchon National University]

Supermercado inteligente

O segundo laboratório é um supermercado, onde os compradores poderão usufruir de comodidades como a recomendação de produtos enviadas pelo telefone celular, histórico de compras anteriores, seleção de faixas de preço dos produtos e vários outros aplicativos.

A principal atração, contudo, são os sensores que permitirão que as compras passem pelo caixa sem precisarem ser retiradas do carrinho, por meio do uso das etiquetas RFID.

As etiquetas RFID permitirão ainda que o cliente, ao se aproximar de um produto, não tenha apenas a informação do preço, mas também da tabela nutricional dos alimentos, dados técnicos de aparelhos eletrônicos e uma infinidade de outras informações, como o local onde o produto foi fabricado e até o rastro de carbono que ela deixa na natureza.

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Outro grupo de pesquisadores recentemente disponibilizou uma linguagem de programação e um site de aplicativos para a Internet das Coisas. [Imagem: ITU]

Abrindo a internet para as coisas

Embora os conceitos sejam simples e não haja nenhum "impedimento tecnológico" - todas as tecnologias necessárias já estão disponíveis individualmente - a sua aplicação enfrenta uma série de desafios.

Muitos equipamentos atuais já podem se conectar à Internet. Contudo, as conexões ponto-a-ponto frequentemente têm o acesso restringido por firewalls ou são totalmente fechadas - como as intranets corporativas.

Para contornar essa dificuldade, os pesquisadores do IOT-A estão desenvolvendo uma base comum para os sensores da internet das coisas conectarem-se livremente, lembrando um pouco o sistema colaborativo de um site wiki.

Uma dentre as várias situações reais que estão sendo simuladas consiste em uma rede de sensores ambientais instalados em uma cidade inteligente.

No sistema colaborativo, a rede de sensores poderá ser usada simultaneamente pela infra-estrutura de controle da cidade, por órgãos ambientais localizados fora da cidade, por agências de notícias ou por institutos de pesquisa no país ou no exterior.

Todos poderão consultar diferentes subconjuntos de dados da rede de sensores, que estará fazendo medições em tempo real de dados ligados ao clima e ao meio ambiente.

Internet da Coisas: as dificuldades para tornar as coisas mais simples
A internet das coisas e a domótica são apontadas pelos especialistas como as principais tecnologias emergentes para um futuro próximo. [Imagem: Hydra]

Configurando coisas

Outro desafio é a facilidade de uso. Configurar "as coisas" para conectá-las à internet é uma tarefa complexa, devido às incompatibilidades das várias tecnologias sem fio.

O objetivo dos pesquisadores é criar uma conexão de sensores homogênea, independentemente da sua tecnologia sem fio, seja Bluetooth, Wi-Fi, WiMAX, ou ZigBee.

Uma das tecnologias sendo avaliadas é o Mote Runner, uma plataforma para redes de sensores sem fios desenvolvida pela IBM, que cria um ambiente de desenvolvimento e de interligação que roda em uma ampla gama de hardwares e sistemas operacionais.

Finalmente, uma internet das coisas aberta inevitavelmente levanta questões de segurança e privacidade.

Os pesquisadores estão trabalhando no desenvolvimento de tecnologias de segurança que ajudem a evitar o uso de dados armazenados sem autorização e que impeçam a identificação dos indivíduos através do rastreamento de seus sensores.





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