Meio ambiente

Manchas solares poderão desaparecer a partir de 2016

Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/09/2010

Manchas solares poderão desaparecer a partir de 2016
Sem as penumbras, que podem ser vistas na imagem amarela, as atuais manchas solares estão se enfraquecendo magneticamente. [Imagem: William Livingston/NSO]

Pequena era do gelo

Cientistas que estudaram as manchas solares durante os últimos 20 anos concluíram que o campo magnético do Sol que as origina está diminuindo.

Se a tendência atual continuar, por volta de 2016 o Sol pode ficar totalmente sem manchas e assim permanecer ao longo de décadas.

Um fenômeno semelhante, que ocorreu no século 17, coincidiu com um período prolongado de resfriamento na Terra.

Conhecido como "Pequena Era do Gelo", o maior Mínimo Solar já registrado durou 70 anos. O chamado Mínimo de Maunder durou de 1645 a 1715, com a Terra experimentando temperaturas muito baixas.

Embora os mínimos solares normalmente durem cerca de 16 meses, o atual se estendeu por 26 meses, o mais longo em um século.

Campo magnético das manchas solares

As manchas solares surgem quando ressurgências do campo magnético do Sol aprisionam plasma ionizado em sua superfície. Normalmente, o gás superaquecido, eletricamente carregado, libera seu calor e mergulha de volta abaixo da superfície. Mas o campo magnético inibe este processo.

Em artigo publicado na revista Science, Phil Berardelli relata o trabalho dos astrônomos Matthew Penn e William Livingston, do Observatório Nacional Solar em Tucson, Arizona, que vêm estudando as manchas solares desde 1990.

Usando uma técnica de medição chamada Separação de Zeeman, os astrônomos analisaram mais de 1.500 manchas solares e concluíram que a intensidade do campo magnético das manchas solares caiu de uma média de cerca de 2.700 gauss para cerca de 2.000 gauss - a intensidade média do campo magnético da Terra tem menos de 1 gauss.

Eles não sabem explicar as razões para tal diminuição. Mas se a tendência continuar, a força do campo magnético das manchas solares vai cair para uma média de 1.500 gauss já em 2016.

Como 1.500 gauss é o mínimo necessário para produzir manchas solares, os astrônomos afirmam que elas poderão não ser mais geradas a partir de então. Foi justamente isso o que aconteceu durante o Mínimo de Maunder.

Previsões sobre o clima solar

Mas Livingston adverte que a previsão de zero manchas solares pode ser prematura. "Isso pode não acontecer," disse ele à Science. "Somente o tempo dirá se o ciclo solar vai decolar."

Ainda assim, acrescenta ele, não há dúvida de que as manchas solares "não estão muito saudáveis agora." Em vez dos fortes pontos rodeados por halos, chamados penumbras, como se viu durante o último máximo solar, a maior parte da safra atual parece "um pouco repicada", com poucas ou nenhuma penumbra.

Mas há quem discorde deles. O físico David Hathaway, do Centro de Voos Espaciais Marshall, da NASA, achou o estudo interessante, mas acha que os dois astrônomos podem ter deixado de lado pequenas manchas solares, o que pode ter elevado a média considerada por eles.

Hathaway é um crítico de longa data daqueles que acreditam que o comportamento do Sol está saindo do normal - veja O que há de errado com o Sol?.

Outra pesquisa recente mostrou que o impacto do Sol sobre a Terra vai além das manchas solares.

Bibliografia:

Long-term Evolution of Sunspot Magnetic Fields
Matthew Penn, William Livingston
arXiv
3 Sep 2010
http://arxiv.org/abs/1009.0784v1
Outras notícias sobre:

Mais Temas