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Brasil tem mais marcas de automóveis que EUA

O Brasil já tem mais montadoras fabricando automóveis no país do que os Estados Unidos.

"O Brasil tem no mundo o maior número de marcas produzidas internamente, mais até que os Estados Unidos, e isso não é bom para o produto, porque cria uma pulverização e essa indústria depende de escala para ser competitiva", afirmou Mário Sérgio Salerno, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Testes, não pesquisas

Contudo, pouco se faz no país em termos de pesquisa e desenvolvimento, afirma o pesquisador, que está interessado em mecanismos para trazer ao país também a área mais nobre de projetos.

"Paga-se muitos royalties porque a parte substantiva dos modelos é projetada pelas matrizes", disse Salerno.

Um dos desvios quando se olha os dados de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da indústria automobilística no Brasil é que apenas uma pequena parte dessas cifras representa desenvolvimento de projetos.

Segundo o pesquisador, não há, por exemplo, desenvolvimento de motores no Brasil.

Contudo, o dispêndio total de P&D das montadoras parece ser alto, porque há muitas horas de engenharia aplicadas nos testes dos carros estrangeiros trazidos ao país, o que acaba sendo lançado como investimento em P&D.

Engenharia importada

Salerno explica que os investimentos em P&D no setor em geral incluem o pagamento de royalties pelas filiais às matrizes em seus países de origem, o que indica a internacionalização da engenharia e a dificuldade para o desenvolvimento local.

Uma avaliação importante para detectar oportunidades de inovação é quanto ao caráter de arquitetura "integral" ou "modular" dos veículos.

O pesquisador acredita que a modulação é mais interessante para motivar a pesquisa no setor porque amplia as oportunidades de inovação. "Com o projeto modular, o desenvolvimento não fica concentrado na matriz".

Carros com projeto nacional

Entre as montadoras, Volkswagen, General Motors e Fiat são as que mais desenvolvem tecnologia internamente, em alguns casos com produtos de inspiração local como o Fox, da Volks, e a Meriva, da GM.

Nessa linha de projetos também haverá um novo estímulo com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que no dia 9 de julho anunciou o financiamento de R$ 342 milhões à Volkswagen do Brasil para desenvolvimento de dois novos modelos, um subcompacto e outro sedã.

O recurso também será aplicado na modernização (facelift) de modelos já existentes, permitindo à empresa valorizar a engenharia local e atualizar seus produtos em relação ao nível oferecido ao consumidor de mercados mais sofisticados.

Inovação em autopeças

Outro ponto importante para que o IPT e outras instituições acadêmicas possam se inserir no processo de P&D da indústria automotiva é, segundo o pesquisador, dar maior atenção aos fornecedores de autopeças, que são obrigados a se envolver com os projetos desde seu início.

"Os fornecedores começam muito cedo porque os sistemas de um veículo fazem muitas interfaces. O projeto não é simples, há muitos detalhes, apesar de a maioria das tecnologias aplicadas serem consolidadas," afirma.

Ou seja, o setor de autopeças também é uma frente importante para a inovação, sendo que muitas dessas empresas fazem desenvolvimentos que depois são incorporados nas linhas de montagem.





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