Eletrônica

Memórias visionárias cada vez mais próximas da realidade

Memórias visionárias cada vez mais próximas da realidade
As "memórias visionárias" são tridimensionais, flexíveis, altamente transparentes e mais simples, com cada célula formada por apenas dois terminais.[Imagem: Jun Yao/Rice University]

Supermemórias

Pesquisadores da Universidade Rice, nos Estados Unidos, apresentaram detalhes de uma nova geração de memórias cujo elemento ativo é o óxido de silício, em lugar do silício tradicionalmente dopado com outros elementos ou outras ligas semicondutoras.

As memórias são tridimensionais, flexíveis, altamente transparentes e mais simples, com cada célula formada por apenas dois terminais.

A equipe do Dr. James Tour havia antecipado alguns de seus progressos durante a reunião da Sociedade Americana de Química, em Março passado.

Agora, em um artigo publicado na revista Nature, eles divulgaram os avanços mais recentes e deram maiores detalhes dessas memórias que eles chamam de "visionárias" - elas foram recentemente avaliadas em um experimento na Estação Espacial Internacional.

Óxido de silício

As memórias, que alcançam até 95% de transparência, são do tipo não-volátil, ou seja, não perdem os dados na ausência de energia, como as memórias flash usadas nos pendrives e cartões de memória.

Sua grande inovação é o uso do próprio óxido de silício como elemento ativo, ensanduichado entre duas camadas de grafeno.

Quando a energia circula por uma finíssima camada de óxido de silício, átomos de oxigênio são arrancados de um canal de apenas 5 nanômetros de largura, transformando o material em silício puro.

Com uma tensão menor, o canal oxida-se novamente, restaurando o óxido de silício.

Assim, o canal pode ser lido como "0" ou "1", dependendo de sua composição.

A dimensão de 5 nanômetros impressiona, uma vez que a indústria começa a avançar agora rumo à tecnologia de 22 nanômetros.

Memórias de dois eletrodos

Os protótipos apresentaram funcionalidade próxima aos 80%, "o que é muito bom para um laboratório não industrial," disse o professor Tour.

Segundo ele, o fato de que as células de memória necessitam de apenas dois terminais é um grande incentivo para que a indústria adote a tecnologia.

Além de mais simples de produzir, as células de memória de dois eletrodos podem ser facilmente empilhadas, formando chips 3D.

Bibliografia:

Highly transparent nonvolatile resistive memory devices from silicon oxide and graphene
Jun Yao, Jian Lin, Yanhua Dai, Gedeng Ruan, Zheng Yan, Lei Li, Lin Zhong, Douglas Natelson, James M. Tour
Nature Communications
Vol.: 3, Article number: 1101
DOI: 10.1038/ncomms2110




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