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Nanonaves espaciais chegarão a Alfa Centauro em 20 anos

Nanonaves espaciais podem chegar a Alfa Centauro em 20 anos
Ilustração conceitual do Projeto StarShot, que prevê "naves chapinhas de silício" surfando pelo espaço interestelar impulsionadas por velas solares.[Imagem: StarShot Initiative/Divulgação]

Nanonaves espaciais

O bilionário russo Yuri Milner convidou o melhor garoto propaganda disponível quando o assunto é divulgação de ciências para anunciar o maior investimento já feito em busca das tão esperadas viagens interestelares.

Stephen Hawking, que anteriormente declarara preocupação que a descoberta da Terra por alienígenas poderia causar a extinção da humanidade, resolveu apoiar um projeto para a primeira viagem interestelar humana.

Milner vai fornecer US$ 100 milhões para a que a equipe do professor Philip Lubin, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, nos EUA, coordene o desenvolvimento dos conceitos e os protótipos de uma nave espacial capaz de alcançar a estrela mais próxima em apenas 20 anos.

Mas esqueça as espaçonaves no estilo Jornada nas Estrelas ou similares. O projeto vai contemplar "naves" planas de silício, pouco maiores do que chips de computador, pequenas o suficiente para caber na palma da mão e pesando apenas alguns gramas.

Viagem interestelar

Viagens interestelares sempre foram uma área marginal da ciência. Embora existam muitos planos no papel, agências espaciais como a NASA têm dedicado poucos recursos para verificar quais são factíveis.

Nanonaves espaciais podem chegar a Alfa Centauro em 20 anos
O destino da missão será a estrela mais próxima da Terra, Alfa Centauro. [Imagem: NASA/Akira Fujii]

Milner e sua equipe de consultores, incluindo cientistas e engenheiros, acreditam que os recentes desenvolvimentos nos lasers e na nanotecnologia devem possibilitar enviar milhares dessas nanonaves para Alfa Centauro, de onde elas poderiam transmitir de volta imagens e dados sobre quaisquer planetas em órbita.

"Fizemos algumas pesquisas recentes com algumas das melhores mentes em diferentes áreas e, para minha surpresa, concluí que pode ser feito dentro de uma geração", diz Milner.

Assim, considerando que "uma geração" dure cerca de 30 anos, as naves e seu sistema de lançamento poderiam estar prontas por volta de 2050 e chegar a Alfa Centauro em 2070.

Tiro nas estrelas

O projeto, batizado de Starshot, prevê o lançamento de centenas de nanonaves feitas de pastilhas de silício com cerca de 10 centímetros de comprimento. Elas seriam propelidas por velas solares de alguns metros de largura, feitas com um material reflexivo para transformar o empuxo dos fótons de luz em empuxo.

Já existem vários experimentos com velas solares, mas esses protótipos geram uma quantidade de empuxo muito pequena. Por isso, em vez de depender da luz do Sol, as nanonaves seriam impulsionadas por um laser de 100 gigawatts, uma potência suficiente para acelerar as pequenas sondas espaciais a 20% da velocidade da luz - o que, por sua vez, é suficiente para percorrer os 4 anos-luz até Alfa Centauro em 20 anos.

Nanonaves espaciais podem chegar a Alfa Centauro em 20 anos
O projeto prevê a utilização de uma técnica chamada "matriz fásica", que combina vários feixes de laser em um único feixe. [Imagem: StarShot Initiative/Divulgação]

As tecnologias necessárias para isso ainda não existem ou custariam tanto quanto projetos internacionais como o LHC ou reator de fusão ITER - por exemplo, um laser de 100 gigawatts mediria pelo menos 1 km de extensão. Também ainda deverá ser desenvolvida uma tecnologia que permita transmitir de volta os dados coletados pelas nanonaves.

Por isso é bom lembrar que os US$100 milhões fornecidos por Milner serão suficientes apenas para a fase inicial de pesquisa e projeto. Mas isso não o faz desanimar: "Nós pesquisamos cerca de 20 desafios técnicos, e acreditamos que nenhum daqueles é insuperável. Não há nenhuma lei física que contradiz este modelo em particular."





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