Nanotecnologia

NanoNet: tecnologia gera circuitos verdadeiramente flexíveis

Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/07/2008

NanoNet: tecnologia gera circuitos verdadeiramente flexíveis
Foto da primeira NanoNet totalmente funcional, formada por 100 transistores.[Imagem: University of Illinois at Urbana-Champaign]

Pesquisadores da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, conseguiram resolver um dos maiores obstáculos para a produção em larga escala de transistores de nanotubos de carbono.

NanoNet

A tecnologia, que os pesquisadores batizaram de NanoNet - uma rede em escala nanométrica, construída com transistores de nanotubos de carbono - poderá possibilitar imprimir circuitos eletrônicos sobre materiais plásticos para diversas aplicações, incluindo telas flexíveis e "peles eletrônicas" capazes de revestir um avião inteiro ou qualquer outra estrutura metálica, para monitorar a formação de fissuras em sua fuselagem.

Em escala de laboratório, os nanotubos de carbono já comprovaram sua capacidade de gerar transistores muito mais rápidos do que os atuais.

Em escala industrial, contudo, há um sério problema: os circuitos eletrônicos da NanoNet, formados pela deposição aleatória de nanotubos de carbono em uma estrutura parecida com uma rede de pesca, acabam sendo contaminada por nanotubos metálicos que se formam inevitavelmente durante a produção, que causam curto-circuitos.

Dividir para conquistar

A solução encontrada foi fatiar o circuito, o que quebra os nanotubos metálicos e evita os curto-circuitos. "Outros pesquisadores haviam sugerido eliminar esses nanotubos metálicos. Em vez disso, nós descobrimos uma forma incrível de essencialmente remover o efeito desses nanotubos metálicos sem removê-los de fato," explica o pesquisador John A. Rogers.

Para comprovar o funcionamento de um método aparentemente tão simples, mas que exigiu pesados cálculos de simulação para definir a melhor forma do corte, os pesquisadores construíram uma NanoNet com 100 transistores, a maior já feita até hoje e a primeira a demonstrar funcionalidade total, graças à ausência dos curto-circuitos.

"Agora não há mais nenhuma razão fundamental porque não possamos desenvolver as tecnologias NanoNet," diz Rogers. "Se você pode fazer um circuito flexível com 100 transistores, você pode fazer circuitos com 10.000 ou mais transistores."

Aplicações específicas

Mesmo depositados aleatoriamente, as redes de nanotubos são capazes de formar circuitos totalmente funcionais adequados a um grande número de aplicações, como telas flexíveis, mostradores que poderão se ajustar a qualquer superfície, por mais irregular que ela seja, e sensores de diversos tipos. A NanoNet, contudo, não seria adequada para circuitos de alta densidade, como os utilizados no interior dos processadores de computador.

Há poucos dias, um grupo de pesquisadores publicou uma forma diferente de produzir circuitos eletrônicos de nanotubos de carbono em escala industrial: veja Chips de nanotubos de carbono são demonstrados em escala industrial.

Bibliografia:

Medium Scale Carbon Nanotube Thin Film Integrated Circuits on Flexible Plastic Substrates
Qing Cao, Hoon-sik Kim, Ninad Pimparkar, Jaydeep P. Kulkarni, Congjun Wang, Moonsub Shim, Kaushik Roy, Muhammad A. Alam, John A. Rogers
Nature
24 July 2008
Vol.: 454, 495-500
DOI: 10.1038/nature07110
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