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Cientistas querem levar nanotermômetro luminescente ao mercado

Cientistas querem levar nanotermômetro luminescente ao mercado
[Imagem: Carlos D. S. Brites et al. - 10.1002/adma.201001780]

Pesquisadores portugueses e espanhóis vieram ao Brasil mostrar seu nanotermômetro, uma inovação que eles estão tentando transformar em produto.

"Já submetemos uma patente do dispositivo na Europa e nos Estados Unidos, e algumas empresas se interessaram pela ideia", disse Luis António Dias Carlos, da Universidade de Aveiro (Portugal), que desenvolveu o dispositivo em colaboração com colegas da Universidade de Zaragoza (Espanha) em 2010.

O nanotermômetro é capaz de medir variações de temperatura em nível molecular.

Ele é baseado em materiais luminescentes (emissores de luz), como nanopartículas de íons lantanídeos trivalentes európio (Eu3+), térbio (Tb3+), itérbio (Yb3+) e érbio (Er3+).

Ao serem excitados por radiação ultravioleta - com energia mais elevada -, os íons Eu3+ e Tb3+ emitem luz nas regiões espectrais do vermelho e do verde com intensidades que variam de acordo com a temperatura do material sobre o qual estão dispersos.

Dessa forma, é possível medir a temperatura analisando as variações de intensidade da emissão de luz dos íons à distância, sem a necessidade de contato físico entre o termômetro e o material que se pretende analisar.

Como os íons lantanídeos podem ser dissolvidos ou dispersos em fluidos biológicos (como sangue, por exemplo), o nanotermômetro pode ser utilizado em meios líquidos, segundo o pesquisador português.

Nanotermometria

"O nanotermômetro luminescente permite medir a temperatura de uma forma não invasiva com alta resolução espacial", avaliou o pesquisador. "Fomos um dos primeiros grupos de pesquisa no mundo a propor o conceito de nanotermometria baseado na emissão de luz de íons lantanídeos."

De acordo com o pesquisador, uma possibilidade do uso do nanotermômetro luminescente está no mapeamento de temperatura com uma resolução especial de 1 micrômetro, como a de células tumorais.

"Sabe-se que a temperatura das células cancerosas é mais elevada do que a das células normais e que elas não resistem a temperatura superior a 42 ºC", disse ele.

Segundo ele, a medição da temperatura é crucial para inúmeros estudos científicos e desenvolvimentos tecnológicos e representa de 75% a 80% por cento do mercado mundial de sensores.

Bibliografia:

A Luminescent Molecular Thermometer for Long-Term Absolute Temperature Measurements at the Nanoscale
Carlos D. S. Brites, Patricia P. Lima, Nuno J. O. Silva, Angel Millán, Vitor S. Amaral, Fernando Palacio, Luís D. Carlos
Advanced Materials
Vol.: 22, Issue 40 - Pages 4499-4504
DOI: 10.1002/adma.201001780




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