Espaço

No fluxo contínuo do tempo não há lugar para o presente

No fluxo contínuo do tempo não há lugar para o presente
A professora Joan Vaccaro contesta a noção geral de que há uma assimetria entre espaço e tempo. [Imagem: Griffith University]

Assimetria entre tempo e espaço

A professora Joan Vaccaro, da Universidade Griffith, na Austrália, está desafiando a noção há muito tempo aceita pela ciência de que a seta do tempo - a incessante evolução do universo do passado rumo ao futuro - é uma parte elementar da natureza.

Nesse campo, entre teorias e experimentos, há propostas para todos os gostos, desde a confirmação da seta do tempo até a demonstração de que o futuro afeta o passado. Ou você pode optar por comparar a confirmação de que o Universo não dá marcha-a-ré com a ideia de que a sequência de causa e efeito não faz sentido no reino quântico.

A professora Vaccaro não fica com a maioria, e sugere que há uma origem mais profunda e mais elementar do espaço-tempo porque há uma diferença entre os dois sentidos do tempo: para o futuro e para o passado.

"Na conexão entre tempo e espaço, o espaço é mais fácil de entender porque ele simplesmente está lá. Mas o tempo está sempre nos forçando para o futuro.

"Entender como a evolução do tempo nos aparece desta forma abre toda uma nova visão sobre a natureza fundamental do próprio tempo. E pode até nos ajudar a entender melhor ideias bizarras como viajar no tempo," contextualiza ela.

Simetria do espaço e do tempo

A pesquisadora começa descrevendo a assimetria entre tempo e espaço, no sentido de que os sistemas físicos inevitavelmente evoluem ao longo do tempo, ao passo que não existe uma relação correspondente onipresente no espaço.

É essa assimetria que se vem presumindo ser um elemento básico na natureza, sendo expressa por equações das leis de movimento e de conservação de energia que operam de forma diferente ao longo do tempo e do espaço.

No entanto, a professora Vaccaro usou um "formalismo soma sobre caminhos", ou "soma sobre as histórias", elaborado por Richard Feynman, para demonstrar a possibilidade de uma simetria entre tempo e espaço, ou seja, contestando a visão convencional da seta do tempo e da inexorável evolução do passado para o futuro.

No fluxo contínuo do tempo não há lugar para o presente
Outros pesquisadores especulam que reverter o tempo pode criar tecnologias futurísticas. [Imagem: Frazier et al.]

"Experimentos com partículas subatômicas ao longo dos últimos 50 anos mostram que a natureza não trata as duas direções do tempo de forma igual. Em particular, partículas subatômicas chamadas mésons K e B se comportam de forma ligeiramente diferente, dependendo do sentido do tempo.

"No entanto, embora nós estejamos realmente avançando no tempo, há também sempre algum movimento para trás, uma espécie de efeito de sacudidela, e é esse movimento que eu quero medir usando estes mésons K e B," diz a física.

Evolução contínua

"Quando esse comportamento sutil é incluído em um modelo do Universo, o que vemos é o Universo mudando de ser fixo em um momento no tempo para estar continuamente evoluindo. Em outras palavras, o comportamento sutil parece ser responsável por fazer o Universo se mover no tempo," explica Vaccaro.

Em outras palavras, considerar que o futuro surge do presente implica em aceitar um presente "fixo", ao menos no momento específico chamado presente, enquanto a pesquisadora acredita que suas equações mostram que nunca há "fixidez" - só há fluxo, o fluxo que empurra o passado para o futuro, impulsionado pela "agitação" intrínseca do mundo subatômico.

Isto pode representar uma mudança radical do ponto de vista filosófico. Pode-se, por exemplo, questionar noções do tipo "Concentre-se no seu presente", substituindo-as por algo como "Siga o fluxo".

Enquanto espera pelos experimentos que possam demonstrar seu formalismo matemático, Vaccaro diz que a pesquisa fornece uma solução para a origem da dinâmica, uma questão nunca resolvida que incomoda a ciência há muito tempo.

Bibliografia:

Quantum asymmetry between time and space
Joan A. Vaccaro
Proceedings of the Royal Society A
Vol.: 472 (2185): 20150670
DOI: 10.1098/rspa.2015.0670




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