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Novos dados exigirão alterações nos modelos climáticos do IPCC

Novos dados exigirão alterações nos modelos climáticos do IPCC
Mapa de diferenças de temperatura superficial nos oceanos no Último Máximo Glacial. Os pontos em azul mostram regiões que eram mais frias do que atualmente. Pontos em amarelo mostram regiões que eram mais quentes do que são hoje. [Imagem: MARGO Project]

Um grupo internacional de cientistas compilou o mais completo conjunto de dados sedimentares ao redor do globo, ampliando o conhecimento sobre as temperaturas da superfície do mar durante o período conhecido como Último Máximo Glacial.

O estudo traçou um quadro bastante diferente do que era considerado válido até hoje, o que exigirá alterações nos modelos usados pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) para prever as alterações no clima.

Último Máximo Glacial

O Último Máximo Glacial cobre o período entre 19.000 e 23.000 anos atrás. "O objetivo do projeto MARGO (Multiproxy Approach for the Reconstruction of the Glacial Ocean Surface) é reconstruir o clima do passado para que nós possamos entender melhor o clima atual e prever o clima do futuro," explica a pesquisadora Claire Waelbroeck.

"Nós reanalisamos todos os dados disponíveis de forma homogênea," diz ela, salientando o aprimoramento das técnicas de pesquisa agora utilizadas, além do maior volume de dados.

Mar não tão gelado

Depois de cinco anos de trabalho, os pesquisadores chegaram a duas conclusões principais. A primeira é que a cobertura de gelo do Mar do Norte e do norte do Oceano Atlântico durante o Último Máximo Glacial não estava presente ao longo de todo o ano, como se considerava até agora. O gelo derretia-se parcialmente no verão.

A segunda conclusão do estudo mostra um forte gradiente de temperatura no sentido leste para oeste, em todos os leitos oceânicos, algo que os atuais modelos climáticos não reproduzem.

Previsões mais confiáveis

De um ponto de vista estatístico, o projeto MARGO é mais robusto do que as pesquisas anteriores, como CLIMAP, que foi feito nos anos 1970 e que é utilizado até hoje. O projeto MARGO tem uma área de cobertura maior, combinando dados de 696 pontos ao redor do mundo.

Além disso, o novo estudo combina os resultados de seis indicadores climáticos diferentes, baseados em composições de microfósseis (foraminífera, diatomácea, radiolaria e dinoflagelados) e medições geoquímicas.

Utilizando esse conjunto inédito de dados, os pesquisadores conseguiram identificar várias fragilidades nos modelos utilizados pelo IPCC. "Fornecendo os meios para testar esses modelos, o projeto MARGO deverá permitir previsões mais seguras das mudanças climáticas e suas consequências," diz Claire.

Recentemente, em um estudo publicado na revista Nature Geoscience, um grupo de pesquisadores foi mais duro nas críticas e chegou a afirmar que as principais conclusões dos modelos climáticos podem estar erradas.





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