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Observatório Torre Alta termina etapa de validação

Observatório Torre Alta termina etapa de validação
Observatório da Torre Alta da Amazônia (Atto, na siga em inglês) é uma estrutura de 325 metros de altura erguida no meio da floresta. [Imagem: MCTIC]

Poeira do Saara na Amazônia

Terminou a primeira etapa de validação dos instrumentos do Observatório da Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês). A partir de agora, os pesquisadores brasileiros e alemães vão começar a realizar medições da atmosfera do ecossistema amazônico e das mudanças climáticas.

A conclusão da etapa de validação foi descrita pelos pesquisadores Paulo Artaxo e Niro Higuchi, coordenadores do observatório, uma estrutura de 325 metros de altura erguida no meio da floresta.

E já foram identificados alguns resultados inéditos, como o transporte de poeira do deserto do Saara para a Floresta Amazônica.

"Nesta primeira etapa encontramos resultados inéditos. Pela primeira vez, foram quantificados os episódios de transporte de poeira do Saara com medidas em solo, já que as determinações anteriores eram feitas com medidas de satélites muito menos precisas e sem especificidade.

"Também foram realizadas medidas de compostos orgânicos voláteis, caracterizando emissões da copa das árvores e, pela primeira vez, foram detectadas emissões de sesquiterpenos [composto de hidrocarbonetos encontrados em plantas e animais] por bactérias no solo, resultado também inédito. Além disso, estão sendo feitos estudos para calcular o quanto a taxa de absorção de carbono pela floresta depende da deposição de ozônio e de aerossóis na atmosfera", explicou Paulo Artaxo.

Raio de influência

As novidades vão desde as medições de metano, dióxido de carbono, ozônio e outros gases de efeito estufa, até os efeitos dos aerossóis no balanço radiativo. Na etapa seguinte, será possível verificar as variações encontradas na floresta de acordo com a altitude.

"A medida de compostos atmosféricos em uma altura de 325 metros permite que o raio de influência passe de algumas centenas de metros para centenas de quilômetros, aumentando a abrangência das medidas. Isso é importante, uma vez que a alta biodiversidade da floresta faz com que emissões possam ser diferentes para cada região. Quando fazemos uma média de medidas de fluxos de gases como CO2 sobre uma região maior, temos menos influência regional e maior representatividade da medida", disse Artaxo.

A partir de outubro, os estudos da interação biosfera e atmosfera serão iniciados utilizando a totalidade dos instrumentos do Atto.

"Muito conhecimento já foi produzido concomitante à instalação da torre principal ao longo dos últimos três anos, mas somente a partir de outubro os estudos serão iniciados utilizando o conjunto total de torres e instrumentos do projeto. A expectativa é proporcionar verdade de campo robusta e contínua relacionada com os ciclos biogeoquímicos, processos ecofisiológicos abaixo e acima do solo e química da atmosfera de uma amostra importante de floresta tropical na Amazônia Central. O mundo, o Brasil, inclusive, se beneficiará com a diminuição de incertezas do estoque de carbono na Amazônia e de aprimoramentos dos modelos climáticos globais decorrentes de processos que estão sendo descobertos no Atto e que são importantes em todas as regiões tropicais do planeta", afirmou Artaxo.

Observatório Atto

Dotada de instrumentos para fazer medições e coleta de dados, a Torre Atto é um projeto do Brasil em parceria com a Alemanha, implementado pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Instituto Max Planck de Química e de Biogeoquímica (Alemanha). O investimento foi da ordem de R$26 milhões, divididos em 50% para cada governo.





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