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Placas de Alzheimer servem de inspiração para nanomateriais

Placas de Alzheimer servem de inspiração para nanomateriais
Usando absorção multifotônica, as placas de amiloide podem ser "decoradas" com moléculas para criar compósitos para várias aplicações. [Imagem: Piotr Hanczyc]

Bioinspiração

As placas de proteínas beta-amiloide são bem conhecidas por sua associação com doenças como Alzheimer, Parkinson e Creutzfeldt-Jakob.

As pesquisas mais recentes indicam que, ao contrário do que se acreditava anteriormente, as placas de beta-amiloide podem ser uma defesa do cérebro, e não a causa dessas doenças.

Antes que isso seja totalmente esclarecido, contudo, pesquisadores já descobriram que o arranjo natural dessas proteínas pode ser copiado para criar novos materiais compósitos de grande interesse tecnológico.

Particularmente, compósitos sintéticos bioinspirados, construídos com a estrutura das placas de beta-amiloide, poderiam ser usados nos futuros nanoprocessadores, no armazenamento de dados de altíssima densidade e até mesmo para tornar objetos invisíveis.

Piotr Hanczyc e seus colegas da Universidade Chalmers, na Suécia, descobriram que essas variantes deformadas de proteínas reagem à irradiação multifotônica, um tipo de efeito laser, algo que não acontece com as proteínas "normais".

Embora isso possa ser usado na criação de novas técnicas para detectar e tratar as doenças cerebrais, os pesquisadores estão mais concentrados agora no uso dessa estrutura natural como inspiração para a criação de novos materiais nanoestruturados.

"É possível criar esses agregados de proteínas artificialmente em laboratório. Combinando-os com outras moléculas, pode-se criar materiais com características únicas," disse Hanczyc.

Os agregados amiloides são duros e rígidos como aço. A diferença é que o aço é muito mais pesado e possui propriedades bem definidas, enquanto os amiloides podem ser ajustados para fins específicos anexando-lhes novas moléculas.

A grande novidade, porém, é a reação à irradiação multifotônica, abrindo a possibilidade da construção de metamateriais muito resistentes, em formatos complexos e que reajam à luz.

"A capacidade de um objeto para refletir a luz poderia ser alterado de modo que o que está por trás dele seja refletido, em vez do próprio objeto, em princípio alterando o índice de refração da luz," disse Hanczyc, apontando para o uso da estrutura bioinspirada em mantos de invisibilidade.

Bibliografia:

Multiphoton absorption in amyloid protein fibres
Piotr Hanczyc, Marek Samoc, Bengt Norden
Nature Photonics
Vol.: 7, 969-972
DOI: 10.1038/nphoton.2013.282




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