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Quatro lasers criam estrelas artificiais para astronomia

Quatro lasers criam óptica adaptativa inédita
Os quatro raios laser formam estrelas guias virtuais no céu, permitindo anular o efeito de turbulência da atmosfera. [Imagem: ESO/G. Hüdepohl]

Óptica adaptativa

O Observatório do Paranal, no Chile, ligou quatro novos poderosos lasers, que passam a compor um sistema de óptica adaptativa com uma capacidade sem precedentes.

São as mais poderosas guias de laser já utilizadas em astronomia.

Os quatro canhões de raios laser de 22 Watts, ao serem disparados para o céu, fazem brilhar átomos de sódio que se encontram na camada superior da atmosfera, o que faz com que estes se pareçam com estrelas verdadeiras, criando assim estrelas guia artificiais.

As estrelas artificiais permitem aos sistemas de óptica adaptativa compensar os efeitos de distorção causados pela atmosfera terrestre, de modo que os telescópios possam criar imagens muito nítidas, com uma qualidade que até há pouco tempo só era possível de se obter com telescópios espaciais.

Utilizar mais de um raio laser permite aos astrônomos mapear a turbulência atmosférica com muito mais detalhes, o que melhora significativamente a qualidade da imagem num campo de visão muito maior.

Quatro lasers criam óptica adaptativa inédita
Este esquema mostra como a Infraestrutura de Quatro Estrelas Guia Laser foi instalada no telescópio principal do VLT. [Imagem: ESO/L. Calçada]

Ciência com tecnologia

Embora a astronomia seja sempre apontada como "ciência pura", ou "ciência básica", a criação do sistema é um exemplo de como a pesquisa pode incorporar a indústria e gerar inovações que poderão impactar outras áreas.

A alemã TOPTICA, a empresa contratada principal, foi responsável pelo sistema de laser e forneceu o oscilador, o duplicador de frequência e o software de controle do sistema.

A MPBC do Canadá forneceu as bombas do laser de fibra e os amplificadores Raman, que são baseados em uma patente do próprio Observatório Europeu do Sul (ESO).

A TNO na Holanda fabricou as estruturas dos tubos ópticos, que ampliam os raios laser e os dirigem para o céu.

As empresas agora já têm encomendas de sistemas similares de pelo menos três outros grandes telescópios, o Observatório Keck, Telescópio Subaru e o Observatório Gemini.





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