Plantão

Quem receberá o Nobel pela detecção das ondas gravitacionais?

Quem receberá o Nobel pela detecção das ondas gravitacionais?
As ondas gravitacionais foram detectadas por uma equipe de mais de mil cientistas usando dois laboratórios iguais, distantes 3.000 km um do outro.[Imagem: LIGO]

Indivíduos ou grupos

A primeira detecção de ondas gravitacionais, anunciada na semana passada, está sendo cogitada para receber o Prêmio Nobel de Física deste ano.

O problema é que o Prêmio Nobel é atribuído a no máximo três cientistas, e a equipe que detectou as ondas gravitacionais é formada por mais de mil.

A questão é se o prêmio deveria ser dado à equipe, sem nomear os ganhadores, ou aos idealizadores da técnica.

Há precedentes para as duas possibilidades.

O Prêmio Nobel da Paz já foi atribuído a diversas organizações, como a ONU e o IPCC, o órgão internacional que estuda o clima.

Mas, no campo da física e da química, as coisas têm sido diferentes, não parecendo haver espaço para colaborações.

Teorias e teorias dos experimentos

O Nobel de Física de 2013, por exemplo, foi para François Englert e Peter W. Higgs, pela descoberta da partícula de Deus, ou bóson de Higgs. Contudo, quem detectou a partícula foi um dos maiores experimentos científicos da história, o LHC (Grande Colisor de Hádrons), para o qual contribuem milhares de cientistas de todo o mundo.

O fenômeno das ondas gravitacionais foi previsto por Henri Poincaré, Hendrik Lorentz e Albert Einstein em 1905.

O equipamento que as detectou pela primeira vez, chamado LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), foi idealizado por Kip Thorne e Ronald Drever (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e Rayner Weiss (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Assim, a questão não é simples.

Pelo critério usado para o bóson de Higgs, a premiação seria, em princípio, de Poincaré, Lorentz e Einstein, mas o Nobel só é atribuído a cientistas vivos.

O natural então seria atribuir a quem detectou o fenômeno. Mas quem é mais importante nessa linha: quem idealizou o equipamento ou quem o tornou realidade, sobretudo aprimorando-o ao longo dos quase 20 anos desde a sua inauguração? - o LIGO funciona desde 2002, mas precisou de várias melhorias para atingir a precisão atual.

Realismo físico

"Não acredito que a detecção renderá um Nobel, porque já se sabia que as ondas gravitacionais existiam e já se esperava sua comprovação. Talvez as pessoas responsáveis pela pesquisa inicial e pelo Ligo [Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory, na sigla em inglês] nos anos 80 ganhem o Nobel," opina o professor Riccardo Sturani, da UNESP, que é um dos brasileiros que ajudaram a detectar as ondas gravitacionais.

Provavelmente Sturani está certo, apesar das seguidas críticas ao conservadorismo da Academia Sueca, que continua privilegiando o modelo anacrônico do cientista que trabalha sozinho em seu laboratório, gritando "eureca" ao fazer descobertas impressionantes.

A ciência tornou-se um esforço colaborativo, com custos compartilhados por vários governos e envolvendo múltiplas instituições e pesquisadores de todo o mundo.

Mas a Academia parece precisar de heróis tanto quanto outras instituições que já tiveram seus momentos de poder e glória, mas que sucumbiram ao não conseguir se adaptar aos tempos.

Ganhadores do Nobel de Física

Confira a lista dos agraciados mais recentes com o Prêmio Nobel de Física:

2015: Takaaki Kajita (Japão) e Arthur Bruce McDonald (Canadá) foram premiados pela descoberta das oscilações do neutrino, que mostram que os neutrinos têm massa.

2014: Os japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura receberam o Nobel de Física pela invenção dos diodos emissores de luz (LED) azuis, que permitiram fontes de luz brilhantes e economizadoras de energia.

2013: François Englert (Bélgica) e Peter Higgs (Reino Unido), por seus trabalhos sobre o bóson de Higgs, também conhecido como "partícula de Deus".

2012: Serge Haroche (França) e David Wineland (Estados Unidos), por métodos experimentais inovadores que permitem a medição e a manipulação de sistemas quânticos individuais, que podem levar à criação dos computadores quânticos.

2011: Saul Perlmutter e Adam Riess (Estados Unidos), Brian Schmidt (Austrália/EUA), por suas descobertas sobre a expansão acelerada do universo, através de observações de supernovas distantes.

2010: Andre Geim e Konstantin Novoselov (Rússia), pela demonstração experimental do grafeno.





Outras notícias sobre:

Mais Temas