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Radiação em viagem a Marte ameaça saúde de astronautas

Radiação em viagem a Marte ameaça saúde de astronautas
Comparativo da nave que levou o robô Curiosity a Marte e da nave Orion, que a NASA está construindo para levar astronautas além da órbita da Terra.[Imagem: NASA/JPL-Caltech/JSC]

Doenças do espaço

As notícias não são nada boas para quem planeja fazer uma viagem a Marte - ainda que seja uma viagem só de ida.

A NASA anunciou que a radiação à qual os astronautas ficariam expostos durante uma viagem de ida e volta a Marte está no limite dos padrões aceitos atualmente.

Acredita-se que o principal efeito da exposição de longo prazo à radiação espacial seja um maior risco de desenvolvimento de câncer. Contudo, não existem testes de longo prazo capazes de dar pistas sobre outros riscos - estudos indicam danos aos olhos e danos neurofisiológicos como outras possibilidades.

As medições agora divulgadas foram feitas pelo instrumento RAD (Radiation Assessment Detector, ou detector de avaliação de radiação), que viajou a Marte a bordo da missão Laboratório Científico de Marte - mais conhecido como robô Curiosity.

O RAD é o primeiro instrumento a medir a intensidade da radiação durante uma viagem a Marte de dentro de uma nave espacial dotada de um escudo de proteção à radiação que é similar ao que uma nave tripulada teria.

Radiação em viagem a Marte ameaça saúde de astronautas
Instrumento RAD (detector de avaliação de radiação), que está em Marte a bordo do robô Curiosity. [Imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI]

Radiações perigosas no espaço

Duas formas de radiação representam riscos de saúde para os astronautas no espaço profundo.

Uma delas são os raios cósmicos galácticos, partículas produzidas por explosões de supernovas e outros eventos de alta energia fora do Sistema Solar.

A outra são as partículas energéticas solares, produzidas por erupções e ejeções de massa coronal do Sol.

A exposição à radiação é medida em unidades de Sievert (Sv) ou milissievert (mSv - um milésimo Sv).

A exposição a uma dose de 1 Sv, acumulada ao longo do tempo, está associada com um aumento de 5% no risco de desenvolver câncer fatal.

Radiação rumo a Marte

O instrumento RAD mostrou que o robô Curiosity ficou exposto a uma média de 1,84 milissieverts por dia - uma dose total de 0,662 Sv.

Atualmente, a NASA estabeleceu como aceitável um aumento de 3% no risco de câncer para os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional - isso equivale 0,8 a 1,2 Sv para homens e 0,6 a 1 Sv para mulheres.

Para uma missão a Marte, contudo, a agência espacial tem como limite uma dose total de 0,66 Sv (ou 660 mSv).

"Em termos de dose acumulada, é como se submeter a uma tomografia computadorizada a cada cinco ou seis dias," compara Cary Zeitlin, do Instituto SWRI, coordenador do estudo.

Radiação em viagem a Marte ameaça saúde de astronautas
Comparação da dose de radiação equivalente para vários tipos de situações, incluindo o cálculo da viagem a Marte - o eixo vertical é logarítmico, ou seja, cada valor é 10 vezes maior do que o anterior. [Imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI]

Escudos e novos tipos de propulsão

Outro dado importante revelado pelo experimento é que apenas 5% da radiação detectada teve origem no Sol, o que é devido ao período de baixa atividade observada no atual ciclo solar - ou seja, dependendo do período da viagem, essa dose poderá ser maior.

As estimativas da exposição dos astronautas à radiação não incluem a permanência em Marte, porque essas medições ainda estão sendo realizadas e não foram computadas neste estudo.

De imediato, há duas alternativas para reduzir a dose de radiação à qual os astronautas ficarão submetidos em uma viagem a Marte: descobrir novos tipos de escudos, que ofereçam maior proteção, ou melhorar a tecnologia de propulsão, que possa substituir os foguetes químicos, reduzindo o tempo de viagem.

Bibliografia:

Measurements of Energetic Particle Radiation in Transit to Mars on the Mars Science Laboratory
C. Zeitlin, D. M. Hassler, F. A. Cucinotta, B. Ehresmann, R. F. Wimmer-Schweingruber, D. E. Brinza, S. Kang, G. Weigle, S. Böttcher, E. Böhm, S. Burmeister, J. Guo, J. Köhler, C. Martin, A. Posner, S. Rafkin, G. Reitz
Small
Vol.: 340 no. 6136 pp. 1080-1084
DOI: 10.1126/science.1235989




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