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Reciclar e remanufaturar sempre vale a pena?

Reciclar e remanufaturar sempre vale a pena?
Há um número igual de situações nas quais a remanufatura de fato consome mais energia do que fazer um produto do zero. [Imagem: Gutowski et al.]

Senso comum

A reciclagem e a remanufatura de produtos - em vez de fazer produtos novos a partir do zero - deve permitir uma grande economia de energia, certo?

Não exatamente, garante um novo estudo realizado por pesquisadores do MIT, nos Estados Unidos.

Amplamente difundidas como ambientalmente corretas, as práticas de reciclagem e remanufatura são usadas desde as latinhas de alumínio e os pneus recauchutados, até os cartuchos de impressora jato de tinta e os motores remanufaturados.

Mas a equipe do Dr. Timothy Gutowski demonstrou que o senso comum não se confirma quando os dados são cuidadosamente verificados.

Custo energético

Em alguns casos, a sabedoria convencional está realmente correta. Mas, em 25 estudos de caso, cobrindo produtos em oito categorias, há um número igual de situações nas quais a remanufatura de fato consome mais energia.

E para a maioria dos casos, a economia de energia é insignificante ou o equilíbrio de energia esteve muito próximo entre o produto novo e o produto remanufaturado.

Mas por que os novos resultados são tão diferentes do que se tem assumido por tanto tempo?

A razão está em que a equipe do MIT usou em seus cálculos a energia total utilizada durante a vida útil de um produto - a chamada análise do ciclo de vida - e não apenas a energia utilizada no processo de fabricação em si.

Em praticamente todos os casos, custa menos dinheiro e menos energia produzir um produto a partir de um "núcleo" reciclado - a parte reutilizável do produto - do que começar do zero a partir da matéria-prima.

Mas o problema é que muitos desses produtos remanufaturados são menos eficientes em termos energéticos, ou versões mais recentes são mais eficientes em termos energéticos do que a geração à qual eles pertenceram, de modo que a energia extra utilizada ao longo da vida útil do produto remanufaturado anula a economia obtida na fase de fabricação.

O mundo é um lugar complicado

"O que parece à primeira vista ser um problema simples, mostra que o mundo é um lugar muito mais complicado do que as pessoas pensam," afirma Gutowski, que já havia coordenado um estudo que demonstra que as indústrias modernas são extravagantes no uso de energia.

Para ele, na maioria dos casos, "a nova tecnologia revela-se tão mais eficiente do ponto de vista energético, que você deve se livrar do velho aparelho" em vez de consertá-lo ou comprar uma versão remanufaturada.

Por exemplo, a eficiência de muitos aparelhos novos - como geladeiras e máquinas de lavar - é tão melhor em relação aos modelos mais antigos que, em termos de consumo de energia, um novo modelo é quase sempre a melhor escolha.

Infelizmente, não é assim que a maioria das pessoas e empresas faz suas escolhas. "A decisão é sempre em relação ao custo, não à energia", diz Gutowski.

Por exemplo, um motor elétrico remanufaturado, no qual o núcleo de metal é reutilizado, mas enrolado com novos fios, é tipicamente entre 0,5 e 1 por cento menos eficiente do que um motor novo. "Continua havendo uma vantagem de custo" para os motores remanufaturados, diz o pesquisador, "mas, do ponto de vista energético, é o oposto."

Visão mais ampla

Gutowski enfatiza que esta pesquisa não sugere, necessariamente, um curso específico de ação.

Para um determinado produto, pode haver outras razões para que se prefira a versão remanufaturada, mesmo que esta produza um gasto líquido de energia.

Por exemplo, a remanufatura pode reduzir o impacto sobre os aterros sanitários, reduzir o uso e o descarte de alguns materiais tóxicos, ou gerar empregos necessários em uma determinada área.

"Nós não estamos dizendo que você não deve fazer [a remanufatura]", diz ele, "[estamos] apenas sugerindo que vale a pena conhecer os efeitos da decisão, na sua totalidade."

Bibliografia:

Remanufacturing and Energy Savings
Timothy G. Gutowski, Sahil Sahni, Avid Boustani, Stephen C. Graves
Environmental Science & Technology
Vol.: 2011, 45 (10), pp 4540-4547
DOI: 10.1021/es102598b




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