Espaço

Satélite sem piloto faz primeira perseguição espacial

Satélite autônomo persegue e captura outro em órbita
O satélite BIROS possui um sistema de navegação autônoma, movendo-se sem qualquer comando enviado da Terra. [Imagem: DLR]

Satélites sem piloto

Pela primeira vez na história da exploração espacial, um experimento espacial real demonstrou como um satélite pode se aproximar de outro de forma totalmente autônoma, utilizando apenas navegação óptica, baseada em visão artificial.

A tecnologia foi demonstrada pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR) durante o experimento AVANTI (Navegação Autônoma de Aproximação Visual e Identificação de Alvo). Foram usados o satélite de observação da Terra BIROS (Sistema Óptico Infravermelho Bi-espectral) e um picossatélite que o BIROS levava a bordo.

Durante a demonstração, o satélite foi programado para chegar a menos de 50 metros do seu alvo de forma totalmente autônoma, sem qualquer controle à distância. "Esta distância foi especificada como um limite mínimo por razões de segurança, já que o satélite não possui sistemas redundantes e sensores adicionais que permitissem uma medição precisa das posições relativas," explicou Gabriella Gaias, engenheira da DLR.

O alvo era o BEESAT-4, um picossatélite de apenas 10 centímetros, liberado pelo BIROS em setembro passado por meio de um mecanismo de lançamento com mola, que ejetou o picossatélite a uma velocidade de 1,5 metro por segundo. Os dois vinham se distanciando desde então, e o BIROS teve que localizar seu alvo e partir em seu encalço.

Para isso, o BIROS é dotado de um sistema de propulsão que permite que o satélite, do tamanho de uma máquina de lavar roupas e com cerca de 130 kg, execute rapidamente qualquer manobra.

Satélite autônomo persegue e captura outro em órbita
Este é o BEESAT-4, o picossatélite que serviu de alvo para a perseguição espacial. [Imagem: TU Berlin]

Capturar lixo espacial

Durante o experimento, o programa de inteligência artificial do BIROS aprendeu a modificar sua trajetória e usar uma câmera do rastreador de estrelas que o satélite usa para se posicionar para procurar e "manter um olho" no picossatélite.

Ao contrário das manobras orbitais convencionais, o satélite não recebeu nenhum comando do centro de controle, confiando apenas nos programas a bordo.

A expectativa é que satélites equipados com essa tecnologia possam ser empregados no futuro para capturar satélites antigos e inativos e detritos espaciais, guiando-os para que se queimem na atmosfera.





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