Informática

Software gratuito de informações geográficas permite planejamento urbano

Software livre de informações geográficas permite planejamento urbano

A versão final de um software livre de informações geográficas, que acaba de ser lançado, poderá dar aos gestores públicos de muitas cidades brasileiras uma ferramenta computacional adaptada às suas necessidades para o planejamento de políticas em áreas como educação e saúde.

Trata-se do TerraView Políticas Sociais, um programa de geoprocessamento para análises e interpretações espaciais da realidade social de áreas urbanas, desenvolvido pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP, em parceria com a Divisão de Processamento de Imagens (DPI) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Planejamento urbano

O aplicativo, que é de uso livre e pode ser baixado gratuitamente pela internet, permite ao usuário realizar diagnósticos e equacionamentos de diferentes questões sociais, econômicas e demográficas. O objetivo é dar suporte a pesquisadores e gestores públicos que atuam em áreas como educação, saúde, transferência de renda e habitação.

"O software supre um dos objetivos do CEM, que é a adaptação e transferência, para um público cada vez mais amplo e diversificado, de inovações tecnológicas voltadas para a análise de políticas públicas", disse Sandra Gomes, responsável pelo desenvolvimento do software no CEM, à Agência FAPESP.

Georreferenciamento

Segundo ela, o georreferenciamento é uma ferramenta útil para subsidiar o planejamento das políticas em grandes cidades, principalmente as de educação e saúde.

"Os softwares semelhantes disponíveis no mercado, entretanto, custam a partir de US$ 1,5 mil para uso em apenas um computador. A partir de agora, temos um software gratuito com uma interface mais amigável, fácil de usar e que faz análises sofisticadas e objetivas", afirma a também coordenadora da Área de Transferência de Tecnologias do CEM.

Gestores não-especializados

Sandra ressalta que o software é também acessível a usuários não-especializados em informática ou geoprocessamento e dá um exemplo de utilização da nova ferramenta: por gestores de uma prefeitura ou secretaria municipal que queiram descobrir as áreas com maior demanda para a construção de uma nova escola.

"Um dos critérios para isso é, obviamente, identificar os locais com muitas crianças e poucos equipamentos de ensino. Com o geoprocessamento inserimos diferentes tipos de indicadores em um mapa a fim de cruzar os dados para formar várias camadas sobrepostas de informações", explicou Sandra.

Nesse caso podem ser usados dados de população dos setores censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que seriam cruzados com informações de uma área específica de planejamento da Secretaria de Educação local, por exemplo, possibilitando a identificação do número de vagas e de alunos sendo atendidos em determinada região.

Localização de demandas sociais

"Com uma conta simples, os gestores conseguem saber onde há locais com muitas crianças e poucas escolas, definindo qual é a demanda regional que passa a se tornar prioritária para a construção de uma nova estrutura escolar", disse.

O programa voltado a políticas sociais consiste em uma adaptação das funcionalidades do TerraView, software desenvolvido no Programa Espaço e Sociedade, uma iniciativa do Inpe para aproximar as inovações derivadas do Programa Espacial Brasileiro às necessidades de ferramentas voltadas para a elaboração de políticas públicas sociais no país.

Capacitação para uso do software

Com o objetivo de facilitar o uso do TerraView Política Social, o CEM está oferecendo um curso de geoprocessamento para que os participantes aprendam a usar suas ferramentas básicas e sejam habilitados a explorar as bases de dados e a gerar mapas e gráficos com qualidade cartográfica.

Com carga horária de 20 horas, o curso é realizado todos os meses e é dirigido a gestores públicos das áreas sociais, líderes de movimentos urbanos, alunos de graduação e pós-graduação e analistas em geral interessados em produzir interpretações espaciais a respeito da realidade social de áreas urbanas.

"A idéia é treinar o maior número possível de pessoas para que esses indivíduos também possam repassar os conhecimentos a outros gestores de suas secretarias regionais e prefeituras", disse Sandra.

Os participantes recebem uma apostila com as aplicações do software usadas pelos professores durante as aulas e certificado de conclusão de curso.





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