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Supercâmera astronômica registra primeiras imagens

Supercâmera astronômica registra primeiras imagens
A DECam (Dark Energy Camera) está montada no telescópio Victor Blanco, no Chile. Seu plano focal é formado por 62 CCDs, com alta sensibilidade na faixa do infravermelho próximo.[Imagem: Roger Smith/NOAO/AURA/NSF;Roy Kaltschmidt/LLNL]

Expansão do Universo

Cientistas da colaboração Dark Energy Survey (DES) anunciaram que a DECam, uma câmera de 570 megapixels construída nos últimos oito anos por cientistas, engenheiros e técnicos em três continentes, obteve sua "primeira luz".

O levantamento DES ajudará a entender porque o Universo se encontra em expansão acelerada, ao invés de estar desacelerando, como seria de se supor, por conta da gravidade.

A resposta pode estar na energia escura, um dos maiores mistérios da física atual, que recentemente foi considerada mais do que uma teoria por um grupo de astrônomos.

CCDs e megapixels

A DECam é considerada a câmera mais poderosa em operação, capaz de registrar a luz de 100 mil galáxias situadas até uma distância de 8 bilhões de anos-luz da Terra.

Ela possui uma matriz com 62 CCDs (sensores) com sensibilidade sem precedentes na região vermelha do espectro eletromagnético, e foi montada no telescópio Victor Blanco, em Cerro Tololo, no Chile.

Combinando os 570 megapixels da DECam com a luz coletada pelo espelho de 4 metros de diâmetro do telescópio, os cientistas poderão contar com uma grande abertura e, simultaneamente, grande profundidade de campo.

A expectativa é que o equipamento permita desde o estudo de asteroides do Sistema Solar até a compreensão da origem e do destino do Universo, o que incluirá a observação de 4.000 supernovas e 300 milhões de galáxias distantes, ao longo dos próximos cinco anos.

Os cientistas da colaboração DES usarão a câmera para o maior levantamento de galáxias jamais feito.

Os dados serão usados para sondar os efeitos da energia escura por meio de estudos de aglomerados de galáxias, supernovas, estruturas em grande escala das galáxias e do efeito de lentes gravitacionais fracas - é a primeira vez que um experimento fará uso destes quatro métodos.

Participação brasileira

O Brasil está no DES por intermédio do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (Linea), sediado no Observatório Nacional.

O Linea foi criado para dar apoio a projetos de levantamentos de grande porte, como o DES.

"As características de um levantamento desse porte exigem recursos computacionais e infraestrutura de armazenamento, processamento e distribuição de dados que não podem ser replicados nas instituições dos participantes", diz o coordenador do DES-Brazil, Luiz Nicolaci, idealizador do Linea.

Após o período de propriedade exclusiva da colaboração, os dados do levantamento serão disponibilizados para a toda a comunidade científica, e o Centro de Dados do Linea será um dos pontos de sua distribuição.

"Além de um portal científico para análise dos dados do DES, somos responsáveis por prover o software que faz a redução das imagens obtidas pela DECam, a ser utilizado junto ao telescópio no momento da obtenção dessas imagens", conta Nicolaci.





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